quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Feliz dia de hoje (prosa poética)

Não quero te desejar feliz ano novo.
Quero fazer mais feliz o seu dia de hoje.
Inundar de alegria o momento presente.
Não quero pensar como será 2009, o ano que vem.
Quero traçar o nosso momento de agora.
Viver bem até o último minuto.
Quero te beijar todo o corpo enquanto não durmo.
Te abraçar enquanto ainda é feriado.
Dizer o quanto te amo enquanto estouram os fogos.
Não quero saber como será o amanhã.
Quero aproveitar esse segundo que passa.
Esse instante em que ainda te tenho.
Amanhã não sei se estarei mais aqui.
E se você estará comigo.
Portanto paremos de traçar planos.
Vamos viver o agora.
Para todo o sempre.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Coitadinha é a mãe (desabafo)

Já disse aqui que escrever é uma ótima terapia. Repito. Principalmente quando você se predispõe a falar de si próprio e se permite deixar a mente divagar e vai digitando quase na velocidade dos pensamentos. Por isso, recomendo a escrita a todo mundo que tiver curiosidade ou a mínima vontade de fazê-lo. Principalmente para aqueles que acreditam na psicanálise. E, se você não se sente à vontade, não precisa mostrar o texto pra ninguém (a não ser o analista, se houver um). O importante é ter coragem de começar. O que vem depois é um presente maravilhoso.

Mas pra sessão de auto-análise funcionar é imprescindível escrever com o coração. A razão tem que ser deixada de lado. Pelo menos num primeiro momento. Depois de acabar, você pode até reler o texto e consertar alguns erros de português, melhorar a forma de se expressar ou cortar supérfluos, mas a idéia principal, a mensagem mais importante que o seu subconsciente tiver escrito por você, essa sim, tem que permanecer intacta. Digo isso porque outro dia escrevi um desabafo sobre os meus próprios defeitos e mandei para um amigo meu, avisando que, se ele quisesse, poderia publicar no site dele, mas, de antemão, eu duvidava que aquele texto despertasse interesse em alguém. Achava que ninguém estaria interessado no meu infinito particular. Pois bem. E não é que ele adorou? Tanto que publicou aqui.

Por que ele adorou? Simples. Porque poucas pessoas admitem as próprias falhas. E, o mais importante: pouquíssimas têm estômago para tentar entender porque são assim. Assumir perante o outro então é mais raro ainda. E é aí que eu queria chegar. Deixando de lado o meu defeito de me abrir demais para pessoas que não merecem e não estão nem aí pro meu relato, pessoas muito queridas que merecem minhas confissões, muitas vezes, quando me ouvem relatando algumas dessas minhas descobertas, ficam com pena de mim. "Coitada da Mariana! Está encucada com tanto problema criado por ela própria. Uma menina bonita, doce, rica (há controvérsias), saudável, etc etc, parece que fica inventando problema onde não existe. Como ela é fraquinha!"

Eles não poderiam estar mais enganados. Todo mundo tem problemas. Isso é normal. Não é um drama. Faz parte da vida. E digo mais: todo mundo cria seus próprios problemas. Já reparou quando aquela sua amiga te conta uma história enorme, em tom de choro, de um drama que você já tá de saco cheio de ouvir porque enxerga o quão fácil é a sua solução? Mas que sua amiga não consegue resolver, coitada? Você pensa assim: "É tão simples. Basta agir assim e assado." Mas quem disse que a fulana faz isso? Não faz. Da mesma forma que você comete vários absurdos e sofre com isso. E sua amiga, ao te ver sofrendo, também pensa: "Como a sicrana é cega. A resposta está na cara e ela não vê." E isso acontece com todo mundo. Do lado de fora é tudo mais fácil. Você resolveria o problema "assim e assado" porque você não está no lugar da fulana, não foi educado como ela, não teve as experiências de vida dela, não tem a personalidade, o passado, a vida da fulana. Você vê a vida como a sicrana que você é, ora bolas!

Como eu disse: todo mundo tem problemas. E não adianta responder que há alguns maiores e outros menores. O que dá a dimensão exata do drama é a maneira com que a pessoa reage ao problema. E, pra mim, há três tipos de pessoas: aquela que admite os próprios defeitos e se aprofunda neles para tentar evitar que eles sejam recorrentes, para cortar o mal pela raiz, aquela que vive na superfície, sempre achando que o problema está no outro e ela é uma injustiçada, e aquela que até tem consiência das próprias mazelas, mas, por livre e espontânea vontade, resolve empurrar com a barriga. Coitadinho pra mim é quem vive a vida na superfície. Afinal, se ele é um injustiçado e o problema está no outro, ele nunca vai se livrar do problema, a não ser que mate o outro, não é mesmo? (Será que é daí que nascem os psicopatas??) Já quem reconhece que o problema está dentro de si e sofre ao cair na real, esse sim tem o poder de mudar as coisas, vai se mexer para virar o jogo, porque sabe que isso só depende dele. Sem dramas.

Então, não se esqueça: quando algum amigo vier te contar que descobriu que age assim por causa disso, disso e daquilo outro, e resolveu mudar, não fique com pena dele. Dê os parabéns. Não o aconselhe a parar de falar besteiras nem tente compensá-lo elogiando suas qualidades ou mudando de assunto. Se as descobertas dele forem genuínas, e você realmente gostar do sujeito, encoraje-o a ir fundo na questão. Isso sim é ser amigo. E depois mire-se no exemplo do sujeito para olhar pra dentro de si e ver o que em você próprio pode ser melhorado. Ou não. Você escolhe. Só tenha consiência de que coitado é aquele que acredita que não tem problemas. É ceguinho, coitadinho... Será mesmo que ele é feliz?

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Meu livro já está à venda

Clique aqui para comprar!

Release - "SORRIA, VOCÊ ESTÁ NA BARRA e outras histórias", Editora Multifoco.

Luciana é uma mulher que morou a vida inteira em Copacabana, e, ao fazer 30 anos, se casa e se muda para a Barra da Tijuca. Como ela própria diz, "veio com três pés atrás, mas veio". Chegando aqui, demora a se acostumar com a vida no condomínio PQP, com suas babás vestidas de branco, seus bebês e os cachorros. E assim, vai se desenrolando a história dessa personagem meio neurótica, que estranha o lugar onde os vizinhos só falam com quem tem filhos e os porteiros têm medo de cumprimentar madames e doutores. Como o episódio em que ela tenta entrar na PQP, digo, no PQP, com seu chevette velho, e é quase barrada pelo porteiro. Luciana também é assombrada pelo fantasma do 207, pelo vizinho sonâmbulo, faz amizade com um papagaio e desvenda um grande mistério: a identidade do assassino do gato preto. Enfim, são oito capítulos de fatos verídicos temperados com a ironia e inventividade típicas da autora, Mariana Valle (eu).

O livro, que tem a quarta capa assinada pelo compositor e escritor Paulo Sérgio Valle, tem também poemas (alguns apaixonados e picantes), contos, crônicas e artigos sobre comportamento, Internet e TV Globo, onde a autora trabalhou durante cinco anos.

Clique aqui para comprar
Veja as fotos da noite de lançamento
Veja nota sobre meu livro, publicada no Jornal O Globo.

Meu livro no Jornal O Globo

Abaixo, nota publicada no Caderno Barra, do Jornal O Globo de ontem (11/12/2008):


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Veja as fotos da noite de lançamento.

NOITE FELIZ (texto e fotos do lançamento do meu livro "SORRIA, VOCÊ ESTÁ NA BARRA e outras histórias")


Meu coração está em festa. O último dia 1o de dezembro realizei o sonho de lançar o meu livro e compartilhei esse momento com pessoas muito especiais. A começar pela minha sobrinha, Katharina, no colo da minha irmã de coração Dani. Menina esperta: mal chegou e já agarrou o seu exemplar!
Pingarilho, compositor, pintor, escultor e arquiteto, meu primo e padrinho querido, não poderia ter feito pose tradicional pra foto, né?

Ah sim! Por que falei de suas credenciais? Porque tanto eu como minha mãe sempre tivemos muito orgulho de ter um artista tão talentoso na família. E a história se repete. Se ele foi o irmão que a minha mãe não teve, seu filho Flávio foi o irmãozinho lindo e implicante que eu não tive. Do tipo que brigava comigo na frente dos nossos pais, mas quando ficava sozinho comigo cuidava direitinho da prima mais nova.
Mahrco Lima, amigo dos remotos tempos de estágio no SERPRO, quando filosofávamos sobre a vida. Foi preciso eu lançar um livro pra finalmente criar vergonha na cara e comprar o livro que ele lançou em 2007, "A Cota do Dia - Prolongando a Essência da Vida", da Editora Exlibris. Adorei seu comentário sobre meu livro já no dia seguinte: "É como se eu estivesse novamente convivendo contigo. E o melhor ainda é que é eclético. Não esperava. Continua. Publica outro!" Obrigada, querido.

E por falar em surpresas, ao lado do marido Veiga, a querida Maria Helena, minha leitora, me emocionou e me motivou muito ao demonstrar sua surpresa quando leu pela primeira vez um texto meu, O Caso Ronaldo. Disse que "a mignon Mariana estava se transformando numa grande formadora de opinião". O que me motivou a refletir e escrever algumas coisas que estão no artigo Missão: Aprender e também os poemas Ser ou parecer, eis a questão e Dupla personalidade.

Ao lado da querida e grávida Sabrina, a amiga também gravidíssima Flavinha, nora do casal simpático de cima, também me emocionou muito ao me mandar um e-mail no dia seguinte ao lançamento, confessando que já tinha lido o livro, o que a tinha deixado ainda mais orgulhosa de me ter como amiga. Orgulhosa fico eu que tenho uma amiga que veio lá de Vitória com o maridão só pra me prestigiar e ainda por cima vive me incentivando com suas intuições poderosas!

E por falar em amigos, esses daqui não poderiam faltar: Fernando, de quem sou a "terceira filha" desde a minha tenra infância de brincadeiras com Aline e Guilherme no primeiro prédio em que morei. Família amada presente nos meus saudosos Dias de Sol. Dany Valle (na foto do último parágrafo), confidente de adolescência do colégio Santa Úrsula e irmã de sobrenome e afinidades. Ciane, irmazona da juventude atormentada de encontros e desencontros amorosos nossos, gargalhadas e afinidades mil. Vocês três foram, são e sempre serão especiais para mim!

Vou te contar, minhas palavras já não podem dizer a alegria que essa gente me proporcionou durante a minha vida e nessa noite. Também os amigos que não puderam estar presentes, mas que estavam comigo, no coração.

O pessoal da Editora Multifoco, que acreditou e investiu no projeto "SORRIA, VOCÊ ESTÁ NA BARRA e outras histórias".
O meu querido revisor, editor, professor e amigo Cairo de Assis Trindade, que foi belamente representado no evento por sua mulher Denizis. O meu primo Paulo Sérgio Valle, que mesmo distante há tanto tempo, foi um querido ao me presentear com um lindo poema na quarta capa. O também querido Gaio, dono do site para o qual escrevo, conselheiro e amigo. José Guilherme Vereza, amigo literário recente, responsável pelo 30 segundos, outro site onde me faço presente. A minha família, meu marido, todos vocês que estiveram lá me prestigiando, dou meu muito, muito obrigada. Espero que eu possa retribuir o carinho, fazendo vocês felizes com a leitura do meu livro. E preparem-se que ainda vem mais por aí... Vocês não vão se livrar de mim tão cedo!
Clique aqui para comprar o livro.
Veja nota sobre meu livro, publicada no Jornal O Globo.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

A síndrome do legume (artigo)

Você já ouviu falar da síndrome do legume? Não, não se trata de uma doença rara causada por alimentos infectados. Esse é o nome que eu uso para designar um comportamento tipicamente infantil, repetido por muita gente durante outras fases da vida. É aquele velho diálogo entre a mãe e seu filho:
- Come o chuchu, fulaninho.
- Não.
- Você precisa comer legumes para crescer forte, meu filho.
- Eu não gosto de legumes.
- Ah é? E desde quando você comeu algum legume na sua vida, fulano?
- Desde nunca. Mas eu não gosto de legume e pronto!

Ok, não precisa se envergonhar por já ter tido esse tipo de diálogo com sua mãe, algum dia. Ter essa atitude durante a infância não faz de você um portador da síndrome do legume. Isso acontece com quem repete o comportamento pela vida afora. Como aquela beltrana, a quem a sicrana convidou para ir ao cinema, num determinado dia:
- Vamos assistir a esse filme aqui, ó. É uma fábula francesa sobre...
- Eu não gosto de filmes franceses.
- Ah tá... Não sabia. Mas qual filme francês você já assistiu?

O mesmo acontece no campo da literatura:
- Amiga, estou lendo um livro do Érico Veríssimo que você vai amar!
- Ah não, não... Eu não gosto de literatura nacional.
- Como assim, não gosta? Que autores brasileiros você já leu?
- Aqueles livros da escola, ora bolas. São todos muito chatos...

E a coisa vai piorando...
- Cara, preciso te mostrar uma música irada. É de um compositor novo. Um sambinha contagiante!
- Que isso, mané? Tá me estranhando? Desde quando existe samba que preste?

Bom, nem preciso dizer que o amigo do mané nunca ouviu um samba na vida dele, não é? A essa altura, acho que você já entendeu como funcionam esses diálogos. E eu quero que fique claro que eu não estou aqui pra condenar ninguém. Afinal, tudo isso poderia se tratar apenas de uns preconceitos bobos, inocentes. Os fulanos, beltranas e manés têm todo o direito do mundo de não quererem conhecer os legumes da vida e viverem suas pacatas vidinhas com medo do desconhecido.

O problema é que essa síndrome não pára por aí. E fica perigosa quando sai do campo dos gostos superficiais e passa pro campo do gostar ou não de pessoas. Que se transforma em acreditar ou não em pessoas, votar ou não em alguém...

É o cara que diz:
- Não respeito quem mora na Barra.
- Não levo a sério quem gosta de funk.
- Não perco meu tempo com vegetarianos.
- Não discuto com quem vota em tucanos.
- Não dou o meu voto para um negro.
- Não faço amizades com gays.
- Não namoro mulheres fáceis.
- Não contrato mulheres com filhos.
- Não quero minha filha saindo com pobre.

São tantos os "nãos" que fico até com medo de ter esquecido algum importante. Eu, por exemplo, convivo com tantos desses infectados... Quer saber? Não vou mais remar contra a maré. Também tenho o meu "não". A partir de agora, está decidido: quero distância de quem tem síndrome do legume. E tenho dito!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Dias de sol (crônica ou prosa poética?)

Lembro-me dos domingos na praia. Picolé gelado, biscoito Globo, matte Leão de garrafão. Lembro-me de tardes inteiras naquele bar da Avenida Atlântica. Nosso amigo garçom sempre com um sorriso no rosto. Qual era mesmo o nome dele? Lembro-me de suas sardas, da cara de ruivo. Lembro-me de sua gentileza, mas o nome...

Enquanto nossos pais entornavam o chope, nós brincávamos subindo em árvores. Em uma árvore, para ser mais específica. E assim, aquele pequeno pedaço de esquina parecia do tamanho do mundo. Tamanha era a gama de brincadeiras diferentes que inventávamos para nos entreter.
Lembro-me também que quando não tinha praia, a gente saía para almoçar fora. Programa sagrado. E a minha escolha era sempre a mesma. Depois de me esbaldar no couvert do La Mole, ainda encarava um filet à parmegiana com batata frita inteirinho. E eu comia tudo. Ao contrário de hoje.

Hoje não como mais batata frita porque me dói o estômago. Não encaro um prato inteiro de restaurante também por causa do estômago. E por causa das calorias, diga-se de passagem. Couvert seguido de um prato inteiro? Nem pensar! Hoje também não brinco na esquina, porque não sou mais criança. Mas se eu quisesse, também não poderia, porque onde moro não tem esquinas. Só retornos pra carros.

Não vou mais à praia, porque acordo tarde. E porque meu marido não admite não almoçar cedo. O legal de ir à praia aos domingos era exatamente a não obrigatoriedade de se almoçar. E a obrigatoriedade de beliscar coisinhas gostosas. Batata-frita, pizza, mignon com cebola. Hummm... O nosso amigo garçom já até sabia o que queríamos. Qual era mesmo o nome dele?

O mais legal de tudo era que não programávamos nada. Deixávamos a vida nos levar. E, no caso dos nosso pais, era o chope quem os levava mesmo. Só tinha uma coisa certa: todo sábado e domingo estaríamos lá. Depois? Não interessa! O bom era o durante.

Ah! Lembrei! O nome do garçom era felicidade. E meu nome é saudade. Muita saudade...

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Por que falar de sexo ainda choca as pessoas? (artigo)

Escrever é mesmo muito bom. Por vários motivos. Primeiro, porque acaba sendo uma maneira de se conhecer melhor. Uma espécie de auto-análise. Segundo, porque é mesmo muito gratificante saber que suas palavras emocionaram ou ajudaram alguém a ser mais feliz. E, em terceiro lugar: é divertidíssimo reparar a curiosidade alheia sobre o quê da sua escrita efetivamente aconteceu na sua vida e o que é apenas ficção. E é exatamente sobre isso que quero falar.

Antes de tudo, preciso confessar. Escrever é altamente libertador. Porque no poema, conto, crônica, artigo ou romance, você pode fazer tudo o que sempre teve vontade, mas nunca teve coragem de fazer. Você pode ser o que der na telha, sem medo da reação alheia. E esse é um dos pilares fundamentais do bom escritor. Não se pode ter medo do que os outros vão pensar. Já basta vivermos assim, sempre guiados pelas expectativas alheias. E não venha você me dizer que é exceção! Afinal, quem é que nunca fez algo para ter a aprovação dos pais? Quem é que nunca mudou alguma coisa apenas para agradar o ser amado? Quem é que nunca sufocou vontades e verdades internas para ser aceito, seja na escola, sociedade, trabalho ou família? É por isso que digo para quem pensava que me conhecia e que levou um susto ao conhecer minha escrita: sou muito mais o que deixo transparecer naquilo que escrevo do que o que pareço ser no trato pessoal.

E é exatamente aí que entra a questão do erotismo, tão presente nos meus textos. É muito engraçado reparar como, em pleno século XXI, como as pessoas são hipócritas. Alguns comentam: “Nossa, você está cada vez mais ousada!” Claro, pensar em sexo o tempo todo e fazer sexo à vontade não é ser ousado, mas transformar isso em poesia, conto ou crônica é impressionante, uma ousadia só.

Outros fazem cara de santos e comentam: “Nossa, nessa ela pegou pesado. Isso não é nem erotismo e sim pornografia.” E, no entanto, são esses os mesmos que adoram contar piadas altamente pornográficas, pra não dizer piadas de baixo calão, baixaria mesmo. Há ainda outros que se dizem chocados. Para quem eu respondo: sexo não é chocante, chocante é a maldade e o veneno que certas pessoas destilam diante de terceiros na vida real. Isso sim é chocante! Repetindo Larry Flynt no filme “O Povo contra Larry Flynt”, chocante são as atrocidades cometidas em nome da religião, em nome da soberania nacional e até em nome do amor. Chocante é a guerra.

Sexo não deveria chocar ninguém. Pelo contrário. Acho até que, se é que já não fizeram, deveriam fazer uma pesquisa de forma a finalmente comprovar uma verdade universal. Quem está sexualmente satisfeito comete menos maldades. Está mais feliz e por isso não inveja a felicidade alheia. Quem é feliz não se incomoda com a felicidade alheia, não precisa extravasar sua infelicidade agredindo ninguém. Vocês já repararam como tem gente que, tal qual vilão de novela, parece gozar quando maltrata alguém? Aquela “amiga” invejosa, aquele chefe tirano, aquela sogra implicante, aquela ex-mulher frustrada... Quantas são as pessoas que cometem maldades, sobre as quais a sabedoria popular sempre conclui: “Não liga não. Isso é falta de pica” Ou ainda: “Essa daí é uma mal-amada.” Ou: “Esse daí é um corno!”.

Quem é amado, quem deseja e é desejado, não perde tempo tentanto fazer o outro infeliz. E o sexo é parte fundamental nesse processo. Se todos literalmente gozassem a alegria de amarem e serem correspondidos, haveria muito menos guerras, muito menos tristeza no mundo. Mas não, as pessoas ainda se chocam ao ler poesia erótica, ao ler um conto “pornográfico”. Quer dizer, isso é o que elas admitem, na frente dos outros! Eu não duvido nada que são justamente essas pessoas que se dizem chocadas, as minhas mais fiéis leitoras. E já até imagino-as esperando pacientemente pelo momento em que ficarão sozinhas em casa. Quando elas correrão para o computador e finalmente poderão ler e reler com calma todas aquelas histórias calientes que tanto as chocaram. E assim irão suspirar, pensando consigo próprias: “como eu gostaria de ter feito isso tudo que está escrito!” Ou ainda: “Que saudade da época em que eu ainda fazia isso...”

É por isso que eu acabo esse texto com uma recomendação: não percam seu tempo se chocando. Leiam, leiam muito sobre sexo, mas não se esqueçam de aproveitarem a leitura como inspiração para a vida real. E, enfim, pratiquem. Nada mais saudável do que gozar a felicidade plena.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Alice no país das maravilhas (conto erótico)

Alice já tinha 42 anos e nunca havia aproveitado tanto uma transa como fazia com essa. Na primeira vez com Rafael, o deixou gozar rapidinho, mas, a partir da segunda, ele ia ficando cada vez melhor. Fazia tudo o que ela pedia. E tinha uma disposição invejável. No entanto, o melhor de tudo era a postura dele. Queria agradar. Se preocupava com ela. Ansiava por aprender e fazer tudo bem-feito. Alice se sentia no paraíso!

- Agora, vamos brincar com a sua língua – E lá foi o amante se lambuzar no seu grelo, seus lábios, sua cavidade molhada e sedenta daquele homem irresistível. O gozo não tardou a jorrar - tanto lá, como cá - e juntos eles foram para a banheira. Relaxaram um pouco e se amaram mais uma vez. Depois, tomaram uma ducha e se vestiram.

Ela pagou a conta, pegou o carro e deixou o rapaz no colégio. Estava na hora da aula de matemática. Dia de prova. Como Alice já sabia a tabuada de cor, não demorou muito para fazer as contas. Rafael fora seu primeiro virgem, mas essa experiência não poderia se multiplicar. Agora que ele fora iniciado na arte, certamente procuraria alguém mais jovem para satisfazê-lo. “Bom, pelo menos realizei um desejo. E fiz uma boa ação”, concluiu Alice.

Na semana seguinte, porém, não resistiu. Voltou para a porta daquela mesma escola e observou longamente cada um dos amiguinhos de Rafael. Precisava arrumar uma nova diversão.

sábado, 1 de novembro de 2008

Xô prisão de ventre! (artigo)

Outro dia li na Veja Rio uma frase muito interessante sobre o publicitário Nizan Guanaes. Que ele não fala mal de ninguém porque acredita que a energia negativa sempre volta para quem desperdiça seu tempo falando mal de uma pessoa qualquer. A princípio, achei aquilo bastante congruente. Também acredito que não é preciso nem falar, basta pensar. Ter pensamentos negativos sobre quem quer que seja faz mal e ponto final. Prejudica a própria pessoa que está pensando. Então eu pensei: como adoraria ter a capacidade de nunca falar mal de ninguém! Nunca pensar mal de ninguém... Será que isso é possível? Nesse momento, lembrei de conhecidos meus que não falam mal de quase ninguém... Os invejei. Sinceramente, os invejei. Depois, rapidamente parei de invejá-los. Claro! Esses tais amigos são pessoas delicadas, ponderadas, sensatas e discretas, no entanto, quando explodem, parecem que vão destruir tudo o que vêem pela frente. Foi aí que concluí: eles podem até não falar mal de ninguém, mas que eles pensam, pensam. Se pensam! Invariavelmente sentem raiva e deixam sua paz interna ser afetada por sentimentos ruins em relação a pessoas que os fazem mal. Eles são seres humanos, ora bolas!

E foi exatamente nesse momento que cheguei a uma importante conclusão: quem tenta negar o tal sentimento negativo e não joga ele pra fora acaba levando aquela energia pra dentro. Lá dentro, a maldita se junta a outros pensamentos ruins, depois a mais outros e, de repente, das duas, uma: ou a pessoa explode quando cai aquela gotinha d'água e com isso faz uma besteira, ou a pessoa somatiza tudo e desenvolve uma doença. E, após chegar a essa conclusão, me veio uma idéia pra lá de nojenta, mas que funciona como uma perfeita metáfora. Sabe aquela dor de barriga que te faz ir correndo para o banheiro? E aquela vontade de esvaziar a bexiga que chega a doer? Nojentas ou não, são coisas inevitáveis. Todo mundo tem. Quem é que não sente um prazer e um alívio danados quando essas coisas saem do próprio corpo? Eu pelo menos adoro. Odeio prisão de ventre. Por isso, quando alguém disser que eu não posso falar mal de alguém que me fez mal, que eu sou fraca por me deixar afetar, que tenho que ser blasé, etc etc, responderei com apenas uma só frase. Prefiro ter diarréia do que viver barriguda com prisão de ventre! Se é que vocês me entendem...

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Juliana e o coelho (conto)

Juliana era casada há cinco anos, mas se sentia sozinha. Maurício viajava muito a trabalho. Então ela resolveu que merecia um vibrador. Ao ver um episódio do seriado Sex and the city, decidiu: queria o tal do rabitt (coelho em inglês), usado pela Charlotte.

E não é que ele era mesmo supimpa? Fazia serviço duplo, atacava em todas as frentes. E assim Juliana se refestelava todas as noites em que Maurício estava fora. Mas aquele negócio era tão bom que ela passou a usá-lo inclusive nos dias em que dormiria com o marido. E quando ele chegava em casa, doido para matar a saudade da esposa, recebia um bando de desculpas da mulher já saciada. Um dia era dor de cabeça, no outro cansaço... Até inventar que estava naqueles dias, Juliana inventou. Tudo para fugir do sexo com o marido. Ela era fiel. O problema é que agora sua fidelidade se voltava para o tal coelhinho.

Maurício não sabia mais o que fazer. Já estava subindo pelas paredes. Chegou até a desconfiar que a mulher tinha um amante. E foi por isso que resolveu chegar mais cedo naquela quarta-feira. Pé-ante-pé, ele entrou pela sala e, ao chegar no corredor, notou a porta do quarto fechada. Tascou o olho na fechadura e não acreditou quando finalmente desvendou o segredo de Juliana. Ela o traía com o coelho. “Ela me paga!”, pensou, enraivecido.

Um mês se passou, e Maurício teve que viajar para os Estados Unidos à trabalho. Na volta ao lar, trazia uma novidade na bagagem. E foi em cima da cama, de onde Juliana reclamava de sua usual enxaqueca, que Maurício abriu o presente. De dentro de uma caixinha, ele tirou um pedaço de plástico colorido, soprou dentro dele, e pouco a pouco ele cresceu, até ficar do tamanho de Juliana. Maurício então se deitou ao lado da boneca, e estava prestes a abracá-la, quando Juliana soltou um berro: _ Você não vai fazer com ela o que eu estou pensando, vai? _ Se eu não posso fazer com a minha mulher, eu tenho que dar um jeito, você não acha? Juliana ficou desesperada. _ Não acredito numa coisa dessas, Maurício! Não acredito! _ É muito simples, Juliana. Basta você acabar com essa greve que eu rasgo a boneca.

Juliana não titubeou e se jogou nos braços de Maurício com paixão. Num minuto, a dor de cabeça foi embora. E o reencontro amoroso lembrou até aquelas transas de início de namoro, de tão apaixonado que foi. Quando tudo acabou, ainda em estado de êxtase, Juliana cobrou: _ E a boneca? Não vai rasgá-la? _Claro meu amor, farei isso já.

E assim, com a boneca em pedaços e o orgulho reestabelecido, Juliana finalmente pôde dormir em paz. Mas Maurício ainda não estava com sono. E tinha uma providência muito importante a tomar. Levantou-se da cama em silêncio e correu para o armário da mulher. Bem ali onde ela havia escondido o coelho mais cedo. Pegou aquele “bicho” com raiva e o levou até o tanque da cozinha. Depois sacou a caixa de fósforos do bolso e tacou fogo no troço. Agora sim, ele poderia dormir feliz.

No dia seguinte, Juliana não comentou nada, mas ele percebeu que ela estava estranha. Ela não sabia o que pensar. “Será que Maurício tinha descoberto seu segredo? Mas então por que ele não comentara nada? Então quem haveria de ter sumido com meu coelho?” Juliana estava agoniadíssima, mas fazia a maior força do mundo para não demonstrar.

Na hora de dormir, Maurício virou para o lado e nem sequer ensaiou procurar o carinho da esposa. E foi assim durante um mês inteiro. Juliana não estava entendendo nada. “Será que ele tem outra? Será que estou gorda? Por que ele não me procura mais?” E num desses dias de incertezas, Maurício chegou do trabalho feliz da vida. E já vestindo o pijama, repetiu o ritual daquele dia fatídico. Pousou a caixinha na cama, tirou o plástico lá de dentro e rapidamente inflou a boneca. Depois, fez com ela aquilo que não fazia com a mulher há um mês e, quando acabou, se virou para o lado e dormiu como um anjo. Juliana não deu um só pio. E ainda teve que dividir a cama com a boneca!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Crise dos 30 (artigo)

Se no início eu reclamava verborragicamente da frieza e catatonia da internet, como vocês podem recordar nos textos Você já chateou hoje?, Amizades Virtuais, Geração MSN e Perguntas sem Resposta, hoje em dia, posso dizer que estou me divertindo e tirando bastante proveito desse ambiente cibernético. Afinal, ter visão crítica é imprenscindível, mas se tem uma coisa que odeio é gente que só reclama da vida e do mundo e não faz nada para se ajustar a ele. Não estamos vivendo em meio a blogosfera, msns e orkuts da vida? Então temos que jogar a ignorância tecnológica de lado e aprender a nos aproveitar do sistema! É por isso que digo: só tenho a agradecer a internet. Além de ter me trazido meu marido (sim, o conheci pela Internet há 12 anos!!), graças às ondas virtuais, tenho lido coisa à beça. E tido acesso a autores maravilhosos. Alguns nem sequer lançaram livros, como a Bruna Demaison, que, até onde eu sei, participou apenas de uma coletânea de textos do site Os Tribuineiros, site aliás que me fez ficar fã ainda dos escritores Felipe Moura Brasil, o Pim, Carlos Andreazza, o C.A, e, mas recentemente, José Guilherme Vereza. Mas, no momento, estou aqui para pegar carona no delicioso texto da Bruna, sobre a crise dos trinta.

Num texto muito bem escrito, como sempre, Bruna destila sua inteligência, acidez e comicidade reclamando que, ao contrário do que se apregoa por aí, fez trinta anos e não teve crise nenhuma. O problema é que ela acabou de fazer trinta anos. Para mim, por exemplo, foi uma das melhores fases da minha vida, pois, cheia de esperança, eu estava me casando com o homem da minha vida e trabalhando no emprego que eu amava. Quatro anos depois, me decepcionei com o emprego e, mesmo ainda amando a empresa, a maioria das pessoas e o trabalho, tive que botar os pés no chão e ver que eu não só não tinha futuro ali, como não tinha presente. Só pensava em trabalho. Até nos finais de semana (muitas vezes trabalhando), eu não tinha outro assunto: era trabalho, trabalho, trabalho. Também, quem manda trabalhar na TV Globo! Além de você ficar exausta de ralar feito condenada para promover a boa imagem dos atores que ganham rios de dinheiro a mais que você, nos raros intervalos em que você está fora daquele mundinho de egos você ainda tem que encarar o batalhão de perguntas dos amigos sobre quem? Sobre os atores endinheirados, claro! Ninguém merece! Mas, deixando as brincadeiras de lado, sofri bastante ao tomar a decisão de deixar de lado um emprego que eu amava, para me dedicar a outros projetos. Nossa! Agora falei igualzinho às atrizes desempregadas quando são perguntadas sobre seus próximos trabalhos. Mas o que interessa é que aí eu passei por uma crise sim. Sofri. Mas foi um sofrimento voluntário e pensado. Sabia o tempo todo que era uma dor necessária, precisava encará-la para realinhar e melhorar minha vida.

Da mesma forma no casamento. A vida de quatro anos de casada, depois de sete de namoro, não é a mesma de quem está em lua de mel. Chega um momento que você se questiona se quer aturar aquilo tudo, se vale a pena continuar abrindo mão de tanta coisa... Afinal, conviver é difícil pra caramba e só dá certo se as pessoas souberem ceder muito e negociar, o tempo todo. Mas é aí que vem a melhor parte. Quando você tem uma crise dessas e se questiona, tanto sobre o casamento, como sobre o trabalho, você chega a uma conclusão: se eu decidi assim, então tenho que enfiar o pé no acelerador e ir com tudo, tenho que dar valor ao que tenho, investir nisso e aproveitar ao máximo a experiência. E é aí que você passa por uma segunda lua de mel, seja ela no casamento, seja no mesmo trabalho, num novo, seja ela uma lua de mel com você mesma, quando olha para trás e pensa: “caramba, quanta coisa aprendi, quantas ferramentas eu tenho para melhorar a minha vida.”

Por isso é que digo à Bruna e às outras recém-trintonas que quiserem ouvir. O grande "X" da questão é que antes dos trinta você vai vivendo a vida se deixando levar pela maré, meio sem pensar. Sem direcionar suas energias e dar o devido valor ao que você tem. Então chega um momento em que você se dá conta de que tem menos tempo fértil para poder gerar um filho, menos condições físicas para abusar dos decotes, minissaias, blusas sem sutiã, menos tempo para ser aceita numa profissão nova, afinal, assim como as rugas e a gravidade, o mercado de trabalho é cruel! Enfim, tudo isso faz você reavaliar como você está usando o seu tempo hoje. E te faz repriorizar todos os minutos de sua vida. Para fechar, lembro apenas de um livro que li, quando ainda era neurótica por regimes: “Mulheres francesas não engordam”, de Mireille Guiliano. Não o relembro porque ele me ensinou a emagrecer. Na verdade, nem li o livro todo, confesso. Mesmo assim, ele me ensinou uma coisa muito importante, ao dizer que as mulheres francesas não engordam porque priorizam a qualidade dos alimentos. Elas fazem uso de receitas e ingredientes especiais, comem um pouco de tudo, e, principalmente, saboreiam cada centímetro do alimento que estiverem degustando. Eu fiz o teste. E não é que quando você come com prazer e presta atenção no que está mastigando, acaba se saciando com muito menos? Pois é exatamente isso que eu venho fazendo com minha vida. E é exatamente isso que desejo a todas vocês. Até logo e bon appétit!

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

O verdadeiro amor cristão (artigo)

Sabe aqueles e-mails que os amigos nos encaminham, com arquivos de powerpoint anexados, com mensagens bonitas, músicas bregas e imagens óbvias, que a gente só consegue ler depois de ficar clicando na setinha do teclado? Sim, eu leio esses slides! Quando nos dedicamos a ler como esporte, encontramos coisas boas até nessas irritantes correntes que nos caem no colo insistentemente a mando dos amigos. Pois bem. Outro dia, depois de clicar fréneticas vezes na setinha para acelerar a chegada das palavras que insistem em pipocar na tela com a maior calma do mundo, consegui me emocionar ao chegar ao fim de uma dessas mensagens, entitulada “O Filho”. Mas a sedução barata me fisgou por pouco tempo. E, depois de contar o que dizia a tal mensagem, lhe explicarei o porquê do meu desencantamento. Ou seria lucidez? Bom, é melhor narrar logo os detalhes dessa história para que você possa julgar por conta própria.

A tal mensagem “O Filho”, resumidamente, contava uma história bonitinha e emocionante, para convencer que quem ama verdadeiramente o próprio filho é um abençoado e, no caso dessa mensagem, o rapaz que amava o filho alheio era tão abençoado que ficava com uma baita herança material. Depois do final surpreendente, a mensagem ainda pega carona na histórinha para pregar que assim como esse caso, Deus, ou Jesus, sei lá, nos ama a todos, porque somos seus filhos. Mas então eu explico porque o conceito de religiosidade aí não me desceu muito bem. Tudo por causa do comentário da pessoa que me enviou essa mensagem sobre sua nora. Um comentário que me provou que nem sempre as pessoas sabem ler a verdadeira mensagem cristã, e é exatamente por isso que eu brigo tanto com a religião e a fé alheia.

Tenho certeza que a tal fulana se emocionou bastante ao ler a história do powerpoint e lhe sou muito grata por ela ter me enviado a interessante mensagem, mas levei um grande susto ao ouvi-la falar assim: “Vou ser muito sincera. Você sabe por que eu gosto da minha nora? Porque ela faz o meu filho feliz.” Aquilo ficou na minha cabeça, mas eu não falei nada, afinal, não posso me meter no sentimento alheio. Mas, a julgar pelo que já aconteceu com o coração dessa sogra a respeito de outra mulher que foi sua nora durante longos 15 anos, posso afirmar com certeza: ela realmente estava sendo sincera. Só ama pessoas que convivem com ela tão intimamente por tanto tempo enquanto aquelas pessoas estiverem lhe fazendo o favor de tratarem direito seus bens mais preciosos: os filhos. Se por acaso, por obra do destino, algo acontecer e a nora não puder mais corresponder ao amor de seu filho, imediatamente vira vilã, persona non grata. Então é aí que entra minha humilde tese. O verdadeiro cristão não é aquele que ama o próprio filho. Isso é fácil. Cristão mesmo é amar, desinteressadamente, o filho alheio, e amá-lo pelo que ele é. Sabendo reconhecer nele as qualidades até quando, eventualmente, sem querer, ele tenha nos feito mal. Isso sim é amor cristão. O resto é hipocrisia.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

No elevador (conto erótico)

Era um belo dia de verão. Daqueles que só a cidade maravilhosa sabe produzir. Com o corpo fervendo sob o comportado tailleur de marca, ardia no peito de Daniela uma vontade irresistível de andar nua. Mas, embora sonhasse com uma praia, ela estava indo para o trabalho. E, pra variar, atrasada. Por isso, ao entrar no elevador, mirou-se no espelho a fim de dar os últimos retoques na aparência. Como acontece com todas as mulheres quando se olham no tal vidrinho refletor, Daniela esqueceu do mundo à sua volta. Aliás, esqueceu até do motivo que a tinha levado ao elevador: ir à garagem pegar o carro. Por isso, Dani não apertou sequer um botão, mas mesmo assim, o elevador pôs-se a descer. Parou no quarto andar.

Gabriel, o vizinho boa vida que insiste em mostrar os músculos peitorais e abdominais muito bem esculpidos no seu traje informal, short e chinelo, entrou e deu um sorriso acompanhado de um “bom-dia”. Ela, com tal visão do paraíso, lembrou-se do inferno de dia que a esperava: muito trabalho, broncas do chefe, aquela reunião maçante com o cliente mala... Melhor nem lembrar! Daniela então esticou o braço para apertar o 3G, mas levou um baita susto ao ser interrompida por aqueles músculos morenos. Gabriel apertava o botão de emergência, aquele que a gente sempre sonhou apertar um dia para ver como é.

Esta era a sua oportunidade. Daniela sempre suspirou ao ver aquele vizinho e sempre teve curiosidade em saber como seria transar no elevador. Ela só não podia imaginar que iria unir dois desejos num só: traçar o vizinho e ainda por cima no elevador!

Fingindo inocência, afinal de contas um fingimento de vez em quando não faz mal a ninguém, ela lançou um "O que houve?". O vizinho respondeu com um beijo tão ardente que Daniela tinha a impressão de estar queimando nos caldeirões do inferno, não fosse aquele beijo o ato mais divino que experimentara.

A essa altura, já não era mais possível fingir surpresa ou consternação e ela deslizou as mãos por aquela barriga de tanquinho e parou com os dedos na borda superior do short. Foi beijando centímetro por centímetro daquela pele, desde o pescoço até o short, que rapidamente foi tirado com as afoitas mãos de Daniela. O membro de Gabriel estava totalmente ereto e ela não via a hora de senti-lo dentro de si. O vizinho, por sua vez, resolveu despi-la com a pressa de um faminto que come um banquete após dias de jejum.

Os dois corpos escorregaram para o chão, ele por baixo, ela por cima, e assim, encaixados, dançaram num ritmo que começou como o balanço de um barco flutuando por ondas calmas. Pouco a pouco, a maré foi se tornando violenta e, num instante, já lembrava um mar revolto pela tempestade. As ondas iam e vinham de tal maneira intensas que Daniela estava prestes a explodir de prazer num grito.

- AAAAAHHHHHHH!
- Calma - responde o vizinho - apertei sem querer o botão de emergência, mas consegui matar a barata. Viu? Estamos são e salvos, e assim você não vai se atrasar para o trabalho. Tenha um bom dia!

Daniela demorou alguns segundos para se recompor e, quando conseguiu encarar a barata morta no chão, uma lágrima escorreu lentamente pelo seu rosto. Ela não chorava a morte do bicho e sim porque morria ali talvez a única oportunidade de realizar seu desejo.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Final feliz (conto)

João já havia sofrido muito por amor. Principalmente pelos excessos verbais de suas companhias. E olha que ele não possuía a audição de um dos ouvidos. Mas não tinha jeito. Por que as mulheres insistiam em abrir a matraca? Por que perdiam tanto tempo falando asneiras?

Era sempre assim. No começo do relacionamento, elas eram bonitas, charmosas, misteriosas, sedutoras. Daqui a pouco, quando se sentiam mais à vontade, tornavam-se previsíveis, inseguras, sufocantes, fofoqueiras, tagarelas. E quando abriam a boca para falar de assuntos como fidelidade, política, religião e futebol eram verdadeiras antas. O tesão morria na hora.

Por isso, João estava tão empolgado com Teresa. Já namoravam há mais de um mês e ela nunca havia tocado em assuntos proibidos. Aliás, ela não falava nada. Sabia que falar seria perda de tempo quando se tinha tanto a aprender apenas ouvindo o amado. "Que mulher sábia", pensava João.

Porém, chegou o dia em que ele cansou. Aquela história de sempre ter alguém concordando com tudo já estava lhe dando nos nervos. E assim, quanto mais Teresa ficava muda, menos tesão ele sentia. Agora, ao invés de dormir ao seu lado na cama, João relegava o sofá para Teresa, que aceitava calada. Ela também não era mais a mesma: vivia deitada ali. Não saía nem pra comer.

O descaso de João já era tão grande, que quando ele ia assistir a TV no sofá, nem se importava de colocar o prato do jantar sobre os quadris de Teresa. E foi numa dessas noites que se deu o desastre: João deixou cair a faca, que caiu sob Teresa, rasgando-lhe a pele.

E, enquanto o corpo de Teresa se reduzia a plástico rasgado, o ar que por tantos dias inflou a boneca de João acertou o ouvido dele com uma fúria descomunal. Resultado: João perdeu a audição do ouvido que ainda era sadio. Bom, pelo menos agora ele poderia voltar a namorar as tagarelas em paz.

ATENÇÃO: Esta história é um quase-plágio de "Como susbstituir amores", de minha amiga Barbara Duffles. Tem isso e muito mais no blog dela. Vale a visita.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Domingo (artigo)

Hoje eu quero emburrecer. Não quero filme cabeça, não quero ler jornal. Quero no máximo rir com um best-seller, passar o tempo com uma HQ infantil. Aliás, um filme adolescente, daqueles idiotas que passam na Disney Channel, cai muito bem, obrigada. Comédia romântica daquelas que a gente já sabe o final, melhor ainda. Revista com assunto de mulherzinha, seriados americanos que desvendam assassinatos... Amo muito tudo isso em dias como hoje.

O que também não pode faltar é uma comida trash. Uma Pringles Páprica com H20, uma barra de chocolate, pão de queijo, pizza... Não preciso ser delicada e correta com meu estômago, só por hoje. Pensar nas calorias e nos pneuzinhos? Hoje não, pelo amor de Deus! Quero ficar descabelada, de camisola e, debaixo das cobertas, pegar o telefone e fofocar com as amigas. Falar mal da chefe, do governo, da sogra, do marido, do vizinho. Vou perder meus preciosos minutos de lazer tramando pequenas vinganças destinadas a cada ser humano que já me fez mal um dia. Quero meter o pau em todo mundo!

Sei que amanhã vou olhar pra trás, desistir de meus planos maquiavélicos e brigar comigo mesma, dizendo: “vingança não leva a nada, só traz energia ruim e nos iguala ao ser que nos fez mal. Perdoar sim é divino”. Também sei que vou concluir que perdi uma ótima oportunidade de ler um livro bom, ver um filme interessante, ler uma revista edificante, assistir a uma peça, ir a uma exposição. E tenho certeza de que vou sentir uma baita dor de estômago! “Por que comi tanta besteira ontem, meu Deus do céu?”

Quer saber? Não vou mais me sentir culpada. Afinal, se eu não conhecesse os males da comida trash, como saberia dar valor à alimentação natural? Se eu assistisse filmes cabeças todos os dias, não acabaria perdendo o encantamento pela genialidade deles? Se eu passeasse na rua todo fim de semana, como me surpreenderia com o movimento lá fora num dia de domingo?

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Perguntas sem resposta - sobre comunicação online (crônica)

Ela fica esperando resposta. Sempre. Manda e-mails e olha compulsivamente pra caixa de entrada pra ver se alguém respondeu. E quando tecla no msn, fica parada e inativa, esperando o interlocutor teclar de volta. Isso quando ela não manda outra mensagem, ou uma simples interrogação, para reafirmar a pergunta que tinha acabado de despejar na janelinha piscante! Como se a pessoa do outro lado não fosse respondê-la. Ela não entende como a pessoa pode ficar online, sem estar disponível. Ainda não se acostumou com essa estranha noção de tempo que permeia as comunicações virtuais, seja via e-mail, msn, orkut ou comentários de posts.

Por exemplo: qual o tempo sensato para se responder um e-mail, de forma a não correr o risco de parecer que você não deu importância à pergunta do amigo? Como é que se explica que às vezes você quer distância do computador? Que é necessário ficar pelo menos uns três dias sem acessar nada? Por que você é obrigado a explicar que viajou, ou que estava com problemas no computador, ou que estava em um local sem internet, toda vez que responde com um atraso de mais de dois dias? Ela não entende essa obrigação implícita no inconsciente coletivo atual dos conectados. Essa mania de ficar online até nos finais de semana, disponível para mensagens e ligações de celulares de trabalho inclusive, ou para receber avisos e convites que poderiam muito bem chegar com um breve telefonema.

E quando ela relata novos fatos ou avança no papo, enviando mais de um e-mail para mesma pessoa? Como no caso daquelas mensagens coletivas em que se conversa, cada um respondendo se vai ou não no churrasco ou no reencontro, festa, reunião de trabalho. Quando um dos interlocutores resolve ligar para ela pra perguntar justamente sobre algum detalhe daquilo que ela explicou no último e-mail, ela fica perdidinha. E pergunta: você leu até que mensagem minha: a primeira, a segunda ou a já chegou na terceira? Porque, veja bem: se a obrigaram a se render ao esquema internético, ela não quer desperdiçar o tempo que lhe sobra offline reexplicando aquilo que já demorou tanto tempo para teclar via online, ora bolas!

E aquele amigo dela que só fica no status offline, mas nunca deixa de papear com ela via msn? Alooou! Pra quê existe um status offline? Se a pessoa tá off não deveria estar sequer logada, isso não é óbvio? Ela também não compreende porque as pessoas gastam tanta energia, deixando seus computadores ligados 24 horas, online 24 horas nos espaços comunicativos da web, se, na verdade, não estão o dia todo em frente à telinha. Quando a vida real lhe chama, ela desliga o computador. Ela odeia aquele barulho que o estabilizador faz quando está ligado.

Ela prefere o telefone, o chat (em português é papo) ao vivo. Mas já se rendeu, ao perceber que só conseguiria marcar estes encontros por meio do computador. E, agora, toda vez que liga pra alguém, acha que está entrando na privacidade da pessoa. Se telefona para a casa do sujeito então, para o aparelho fixo, já começa a ligação pedindo desculpas.

Perdão, gente, mas acho que tenho que pedir desculpas agora por fazer vocês ficarem tanto tempo em frente a telinha, lendo minhas reclamações. Para quem ainda não sacou, esse "ela" sou eu mesma. Desliga o computador, vai! E se quiser conversar comigo, por favor, me liga que eu tô offline.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Melhor do que ontem (artigo)

Nunca assisti o Brazil’s Next Top Model, mas como sou telespectadora da Sony, frequentemente sou bombardeada pelas chamadas para esse programa durante os intervalos comerciais. Fui ao banheiro durante a exibição de uma dessas propagandas e de lá ouvi Fernanda Motta, a apresentadora, falando numa voz de perua, que me soou extremamente fútil: “Para ser modelo, não basta ser boa, tem que ser a melhor.” E não é que esse caso me lembrou o depoimento de uma conhecida atriz global?

Trabalhei durante 5 anos e meio na TV Globo e, apesar de preferir não citar nomes, preciso relembrar um evento específico. Uma talentosa atriz da casa, jovem, linda e bem-sucedida, é uma das mulheres mais antipáticas e pedantes que eu já vi na vida. Diz-se, à boca pequena, que ela até já conseguiu ultrapassar uma famosa veterana no quesito estrelice. Pois bem. Assistindo a entrevista da dita-cuja num programa de entretenimento, me saltou aos ouvidos o comentário que ela fez sobre sua infância com o pai. “Sempre que eu ia participar de competições, meu pai me dizia: _Filha, não importa apenas competir, você tem que ser a melhor.” Foi então que compreendi. Está explicado o porquê da bela subir no salto e sustentar a postura de quem se acha melhor do que os “restos mortais”.

Mesmo sabendo que o mundo artístico é um celeiro de egos inflados, aproveito a ocasião para afirmar: infelizmente, esta mentalidade não reina apenas no mundo da moda e das artes. O instinto de competição do ser humano é muito estranho. Em todos os ambientes de trabalho por onde passei, e acredito que isso não aconteça apenas comigo, pude notar uma cambada de gente invejosa, competitiva, fazendo questão de se sobressair à custa da diminuição ou ridicularização do outro.

O que me faz lembrar do comentário do meu pai sobre meu último post, Decrescimento é a palavra. Preocupado como só os pais e as mães sabem ser, ele disse que eu queria mudar o sistema, ao sugerir que todos nós trabalhássemos menos. Afirmou ainda que ele nunca trabalhou por obrigação e sim por prazer, por isso as muitas horas de labuta não lhe causavam sofrimento.

Ok, pai. Concordo contigo. Eu sou completamente workaholic e, como trabalho com o que gosto, tenho que me policiar de todas as maneiras para não esquecer que tenho marido, família, amigos e um mundo fora do escritório. Até comer e dormir direito fica difícil diante do meu entusiasmo por fazer cada vez mais e melhor o meu trabalho. E é exatamente nesse ponto que eu queria chegar. Quero sempre fazer mais e melhor o meu trabalho. Não dá para direcionar minha atenção e esforço para ser melhor do que os outros. Só podemos - e devemos, acredito eu - ser melhores do que nós mesmos. Até porque não podemos nos comparar a ninguém. Cada pessoa é única. Cada um tem os seus pontos fortes e fracos a serem trabalhados.

Por isso, repito: só posso ser melhor do que fui ontem. O resto é consequência. Se eu focar minha energia no meu desenvolvimento e progresso constantes, aí sim posso me sobressair em relação aos outros. E, mesmo assim, isso nem sempre acontece, vide o medalhista fenômeno Michael Phelps. Por mais evoluídos que os outros nadadores sejam, é quase impossível derrotar o “anfíbio” americano. O melhor que os concorrentes têm a fazer é aceitar o fato de que serão coadjuvantes, e, no máximo, ficarem de olho no comportamento do cara, para entender o que o torna tão imbatível.

Aliás, já que tocamos no assunto, concluo esse texto explicando quem me ensinou a pensar assim. Quando eu competia, principalmente naqueles inúmeros anos de natação irritantemente matutinas, era meu pai quem me aconselhava. “Filha, não interessa se você ganhou ou perdeu e sim se você fez o melhor que pode.” Então, pai, aproveito a oportunidade para falar, de todo o coração, sobre minha vida profissional: graças ao seu exemplo e conselhos, sempre dei o máximo de mim e, hoje, durmo com a consciência tranquila. E paz de espírito como essa definitivamente não tem preço! Obrigada pelos ensinamentos.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Decrescimento é a palavra (artigo)

Você conhece alguém que não esteja sempre com pressa durante a semana? Já reparou como o tempo parece ser cada vez mais escasso? Tenho ouvido muito o seguinte comentário de várias pessoas: “Ultimamente o tempo tem passado tão rápido. Parece que os dias voam!” Será que ninguém parou pra pensar que não é o tempo que passa mais rápido e sim as pessoas que estão correndo? Ninguém percebeu ainda que quem anda voando não são os dias e sim as pessoas? O problema é que os seres humanos não foram feitos para voar e sim para andar. Por isso, a grande incidência de quedas, falhas nas decolagens e estragos nos pousos. Afinal, o que acontece quando os homens-pássaros precisam parar abruptamente? É queda na certa!

Para quem não entendeu a metáfora, eu explico. O que acontece com o sujeito que trabalha compulsivamente durante horas a fio do dia, período em que é pressionado pelos colegas de trabalho, pelos clientes e pelos chefes, para entregar tudo bem-feito e no prazo? Já reparou como os prazos estão cada vez mais curtos e a quantidade de tarefas diárias cada vez maiores? “A única coisa que não aumenta é o salário”, você deve estar pensando. Pois bem. Quando esse sujeito chega em casa, demora para “desligar” do trabalho. “Será que ficou faltando alguma coisa? Será que o chefe gostou do meu relatório? Ai, meu Deus, tenho tanta coisa pra fazer amanhã!” São tantos os pensamentos rondando a cabeça do pobre-coitado que ele nem consegue saborear o jantar direito. Sequer repara no sorriso iluminado do filhinho ali ao lado, doido para brincar com o papai e a mamãe exaustos da lida.

E quando pinta um feriado ou férias, sem viagem? Será que eles sabem o que fazer no tempo livre? O que eu já ouvi de gente dizendo que não consegue ficar 30 dias de férias, porque não aguenta ficar muito tempo “sem fazer nada”, não tá no gibi! É impressionante! Parece que não ter nada pra fazer é um pecado. Aliás, a questão da culpa é outro fator importante. Por que as pessoas se orgulham tanto de dizer que estão atoladas de trabalho, “ralando muito”? Já reparou como a sociedade condena quem trabalha pouco? Quantas vezes você já não olhou torto pra alguém só porque ele não sofre tanto como você para ganhar dinheiro? “Ah, fulano não faz nada, só fica lá na cadeira de chefe dando bronca, ganhando o dinheiro que eu suo para conseguir para a empresa. Beltrana é uma fútil, dona de casa, não sabe o que é ter problemas na vida. Sicrano também, já nasceu rico. Fulaninho não conta, está aposentado.”

O que me motivou a escrever esse artigo foi a leitura de duas matérias muito interessantes da Revista Vida Simples, uma sobre culpa e outra sobre decrescimento sustentável. Esse nome estranho é uma tese, desenvolvida pelo economista e filósofo francês Serge Latouche (foto), que vem chocando o mundo ao criticar o crescimento econômico promovido pelos estados. Latouche defende com ardor uma suposta “descolonização” do nosso imaginário e uma mudança de comportamento mais ativa para salvar o planeta do esgotamento de recursos naturais. Em entrevista concedida a Igor Olszowski, ele alerta que a mensagem não é somente reduzir o excesso de consumo e os danos ecológicos, mas também reduzir a quantidade de trabalho. E a idéia não é trabalhar menos para ganhar mais e sim trabalhar menos para que todos possam trabalhar e viver melhor. “Assim, teremos mais tempo livre para gastar com coisas que realmente valem a pena. Escutar música, dançar, jogar, pensar ou mesmo não fazer nada”, afirma o pensador.

No entanto, ele alerta: “ao contrário disso, nós nos tornamos viciados no trabalho”. E é exatamente aí que entra a questão da culpa, tão bem aprofundada em outra matéria da Vida Simples, de autoria de Mariana Sgarioni. “A culpa é um sentimento que parte de alguém que transgrediu (ou acha que transgrediu) alguma norma, seja ela social, seja legal, moral, ética ou religiosa. É a violação de alguma regra que pode ou não ter causado dano a alguém. ...Ela nos faz perder o sono, traz dor no peito, nó na garganta...”

Ainda não entendeu a ligação das duas matérias? Elementar, caro leitor! A tal da culpa faz as pessoas trabalharem feito burros de carga e viverem correndo como se o mundo fosse acabar amanhã. Afinal, elas têm medo do desemprego, medo de ficar pra trás, receio de serem taxadas como desatualizadas, vagabundas ou boa-vidas. Elas se martirizam pelo sentimento de culpa por não ter dinheiro para bancar todo o luxo e o supérfluo que a mídia faz questão de esfregar na nossa cara como se fosse necessidade básica. Entendeu a conexão?

É por isso que eu assino embaixo do que diz Sérgio Latouche. “O consumo traz cada vez menos a felicidade...O estresse tornou-se um problema grave em nossa sociedade. Mas ao mesmo tempo somos viciados nesse estilo de vida. Necessitamos de uma terapia...Nós quase precisamos de um curso de desintoxicação para reaprender a viver. E, nesse ponto de vista, o decrescimento é uma arte de viver.”

Eu já estou decidida. E você? Pronto para decrescer algumas coisinhas na sua vida, de forma a abrir caminho para o crescimento de sua alegria e paz interior?



Foto: Alexandra Marie (Revista Vida Simples)

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Missão: aprender (artigo)

Falando sobre espiritualidade e filosofia, em almoço com amigas queridas de infância, uma delas comentou, muito humildemente: “não sei qual é a minha missão nessa vida, mas às vezes suspeito que estou aqui para aprender.” Coincidentemente ou não, a autora desse comentário sempre foi uma excelente aluna. Do tipo CDF. Era uma das melhores alunas de nossa turma de colégio. O que faz todo o sentido, afinal, mesmo inconscientemente, ela sempre soube sua missão. Aliás, vou além: afirmo que ela sempre soube, com o coração, desvendar o mistério da vida humana na terra. Por que estaríamos aqui senão pra aprender? Alguns dirão: “estou aqui de passagem.” Outros ainda: “só quero ser feliz”. Mas o fato é que de passagem ou não, sendo feliz ou apenas tentando, invariavelmente estaremos aprendendo alguma coisa. A cada dia aprendemos pelo menos uma coisa nova.

A felicidade não se compra nem nasce com a gente. É preciso conquistá-la. E como chegamos lá, senão aprendendo o caminho? Senão aprendemos a nos conhecer, a conhecer os outros, o mundo e a vida como ela é, senão aprendemos a agir para conquistar todos aqueles sonhos que, juntos, se transformam na tal felicidade?

Isso me lembra o motivo de minha irritação profunda com quem se acha importante, intelectual, sabe tudo, superior ao resto do mundo por ter mais cultura, conhecimento e informação. Às vezes, aprendemos muito mais com um ignorante do que com um letrado. A alegria e surpresa do ignorante quando aprende uma lição é muito mais inteligente do que a postura arrogante do intelectual auto-suficiente. Quem se acha superior não desce do salto para enxergar as maravilhas que estão no andar de baixo. Quem acha que só tem a ensinar perde uma grande oportunidade de aprender.

Sempre fui meio insegura, cheia de dúvidas, inconstâncias e incertezas. E talvez por isso, já fui muito julgada. Fui apontada como inocente, criança, alienada, bobinha. Porque não tenho vergonha de mostrar o quanto ainda preciso aprender. O quanto da vida não sei. Não tenho vergonha de dizer: “não sei, não conheço, me ensina?” Pois agora, posso finalmente afirmar, sem nenhuma dúvida. Se existe uma certeza em minha vida é essa: vim aqui pra aprender. Deus me livre de me achar superior. O dia em que eu achar que sei tudo, que não tenho mais nada para aprender, estou pronta para morrer. E sinceramente espero que esse dia demore muito a chegar!

sábado, 16 de agosto de 2008

Você já chateou hoje? (artigo/crônica)

Vivemos no mundo dos chatos. Daqueles que extrapolam os limites da chatice “falando” no chat. Sim, porque as palavras, ou teclas abreviatórias despejadas no branco da janelinha insistentemente piscante, só demonstram quanto tempo as pessoas têm perdido com coisas inúteis. E se você pensou que me refiro a jovens monossilábicos, aculturados, trocando grunhidos, esqueça. Eles, sim, são felizes. Cultivam suas amizades e enchem suas rotinas de alegria, zoação, brincadeira...

Meu papo é com os executivos, editores, gerentes, chefes e afins que perdem seu tempo se estressando com cobranças absurdas, piscando de cinco em cinco minutos na tela de seus amados subalternos. Sendo que, em se tratando de chat, os minutos duram uma eternidade, que fique claro! Por isso, as perguntas vem de segundos em segundos, para dizer a verdade. O pobre coitado do trabalhador, ao ver as mil perguntas do “superior” pipocando na tela, não tem nem tempo para pensar na resposta que vai dar para as tais cobranças. Quanto mais para realizar as tarefas que lhe foram encomendadas!

Os subalternos, por sua vez, também só desperdiçam teclas e preciosos segundos com os tais chats. Infelizes com sua pobreza, investem na pobreza de espírito e perdem seu tempo falando mal do colega de trabalho, que é tão ferrado como ele, só para despejar sua raiva e se sentir vingado. Com medo de ser passado pra trás. Será que ele não vê que o tempo em que está digitando inutilidades, ridicularizando ou odiando alguém, esse alguém, o “concorrente”, pode estar saindo na frente, realizando um trabalho melhor que o dele? E é aí é que mora o perigo...

Agora, acabo de descobrir que também se fazem entrevistas de emprego pelo chat. “Que idéia genial!”, pensei, ao ser convidada para um processo de seleção online e a-jato. Caiu como uma luva. Eu saí do trabalho dizendo que ia almoçar e fui teclar com o empregador no escritório de uma amiga, ali pertinho. Mas ao chegar lá, mudei de idéia completamente.

Em primeiro lugar, por mais que tente, não consigo me acostumar com essa mania de conversar e botar as fofocas em dia por e-mail, orkut ou chat. Trabalho produzindo conteúdo para web, desde os primórdios da internet, mas sinto falta da privacidade do encontro, do calor da voz e das expressões faciais do interlocutor, do seu movimento corporal. As palavras nem sempre são os melhores indícios de que a pessoa que as digita está sendo sensata, verdadeira, correta. Preciso analisar o conjunto para saber onde estou pisando. E não ser pisada.

Pois só não digo que me senti pisada nesta entrevista chateada e infeliz por um motivo: me orgulho cada vez mais de ainda não ter pirado diante da convivência com tanta gente estressada, apressada, de mal com a vida. É, porque só mesmo um louco iria querer testar meus conhecimentos em inglês me mandando traduzir pequenas frases, divididas em três pedaços cada. Quando hesitei para traduzir uma parte dessa loucura e perguntei o que era a tal montagem a que ele se referia naquele fragmento, ele não gostou e já foi mandando um “óbvio que é um show!” Como assim, óbvio???!! A entrevista era para uma revista ferroviária!!! E os pedaços de texto anteriores passavam longe da idéia de show. Mas vamos lá: tentei contornar e não deu. Fiquei nervosa e, como o inglês não é minha língua, não consegui concatenar os pensamentos com a tradução depois disso. “Ok, bye”, disse o cara. E eu só não mandei ele “kiss my ass”, “mother fucker”, “big asshole”, porque queria me despedir de cabeça erguida. Foi então que eu disse: “Para escrever em inglês não se pode traduzir o português literalmente, por partes, já que eles dizem muito mais com muito menos palavras”, e enfim, mandei um “obrigada pela oportunidade”.

De noite, a caminho da faculdade, um ônibus grudou na minha traseira e piscou reclamando por eu ter deixado um carro entrar na fila a minha frente. Depois, tornou a piscar porque na minha frente tinha outro cara lerdo. Eu estava na pista da direita, tá? E os malandrinhos acelerando pelo acostamento... Meu deus do céu! Quando é que o mundo ficou tão louco? Quando é que o tempo diminuiu tanto a ponto de acelerar a pressa e fazer as pessoas se acharem no direito de passar na frente, de reclamar de uma gentileza, de buzinar para alguém que anda sem avançar o cruzamento? Só hoje, já li o jornal, arrumei a casa, saí da Barra para trabalhar no Centro, assisti aula na faculdade, joguei futebol e passei a noite redigindo esse desabafo. E não agredi ninguém porque estava com pressa para chegar até o fim do dia! Será que eu sou um ET?

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Refém de si próprio (artigo)

Você anda angustiada, com dores no peito e um embrulho no estômago que parece querer impedir que o ar saia da boca pra fora? Mesmo que você tenha um refluxo crônico, ou apenas asia, má-digestão temporária, ou ainda tenha sido infectado repentinamente com uma bactéria ou gastrite, a cura para sua dor pode estar em dois lugares: no cérebro e no coração. Afinal, se o ministério da saúde não adverte, eu aviso: as dores da alma são capazes até de detonar um cancer no sofredor. Então, como evitar que os problemas sejam somatizados a ponto de virarem doença? Elementar, caro leitor. É preciso se libertar dos sentimentos ruins. Fazer um exorcismo mesmo. E, para isso, não é preciso de pastor, Deus, macumba ou um doutor Fritz da vida. Só você pode se curar.

A psicanalista e escritora Beth Valentim falou muito bem, aqui, sobre os desavisados que se aprisionam a pessoas e sentimentos que os fazem sofrer. Humildemente, peço permissão à psicanalista, para ir além. Ninguém nos faz sofrer se a gente não der abertura para isso. O pior prisioneiro é aquele que se torna refém de si próprio.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Geração MSN (artigo)

Sabe aquele papo típico de bar? Quando se discutem assuntos polêmicos como política, futebol e religião? Quando, depois de muitos chopes, os desconhecidos começam a trocar confidências e a filosofar sobre o sentido da vida? Temo que isso em breve não vá mais existir. A não ser que o bar se mude para dentro de casa, ao lado do computador, ou para dentro de uma lan-house. Sim, porque cada vez mais as pessoas não têm o que falar quando se encontram com os amigos. Elas já esgotaram todas as fofocas pelo e-mail, msn, orkut e os malditos comentários de blogs e afins!Como já falei demais do correio eletrônico, site de relacionamento e chat em textos anteriores, dedico-me agora aos tais comentários.

Imagino que para a diretoria de um jornal e para um autor de matéria ou artigo deve ser ótimo saber como o próprio texto foi recebido pelos leitores. Eu, que sou autora “famosa” apenas entre meus amigos, só recentemente descobri como é bom "ouvir" os amigos sumidos, mesmo que isso ocorra nos frios espaços da web. Não nego a qualidade dos tais comentários para quem quer testar a audiência e coisas do gênero. E até aplaudo o lado libertário e democrático da coisa: de dar voz ao povo. O que não entendo é como as pessoas perdem tanto tempo e, principalmente, têm coragem de falar de coisas tão íntimas para esse mundo de gente que acessa a internet.

Sempre fui muito expansiva. Uma das primeiras características que as pessoas costumam associar à minha pessoa é exatamente a completa falta de timidez e, porque não dizer, uma ligeira cara-de-pau. Mas aqui confesso: morro de pudores de sair tascando comentários fragmentados sobre as notícias e os textos alheios, em páginas da internet, que milhares de desconhecidos vão acessar. Falo tudo, falo até demais, mas com aqueles que me conhecem ou que, pelo menos, estão vendo a minha cara durante meu pronunciamento. E me respondem na hora, senão com palavras, mas com olhares que dizem tudo. Também exponho minha opinião quando escrevo, seja artigo, crônica, conto ou poema. Mas esses comentários são estranhíssimos. Já ensaiei escrever um ou outro mas me arrependi. Algumas vezes, cheguei a ficar dez minutos digitando minha opinião, para na hora H apagar tudo e desistir de apertar o botão de enviar.

Parece que as pessoas aplacam suas carências de ser ouvidas, digitando seus comentários. Imagino até o que deve acontecer em alguns lares. A mulher chega vinda do trabalho e aborda o marido. Digamos que ela queira lhe contar suas teorias sobre o assassinato da Isabela Nardoni (só se falava nisso no dia que escrevi esse texto). Então o esposo responde que está ocupado, diante do computador. E não é que ele está justamente comentando esse assunto, na internet, com um bando de desconhecidos? Ele fala com o resto do mundo, mas não tem tempo para conversar com a mulher. Frustrada por não ter sido ouvida, é capaz de a moça tomar o lugar do companheiro quando ele for dormir e digitar seu comentário no final da mesma matéria jornalística sobre a qual o marido opinou. E os dois vão dormir felizes, afinal muita gente lerá suas opiniões. Eles estão quase famosos!

Que mundo é esse em que se dialoga mais com quem não faz parte das nossas vidas do que com nossos próprios filhos, maridos, esposas e amigos do peito? Quer dizer: será que daqui a quarenta anos os adolescentes teclantes de hoje ainda terão amigos do peito, ou só amigos do orkut e msn?

Como você vê o futuro da geração MSN? Eu não faço comentários em texto alheio, mas, por favor, não se esqueça: os seus comentários são muito bem vindos!

terça-feira, 22 de julho de 2008

Amizades virtuais (artigo)

Ainda não me acostumei com esse lance de internet, e-mail, msn e orkut. Já trabalhei escrevendo para web, confesso, mas me refiro principalmente à manutenção das amizades via online. Adoro ouvir notícias daqueles que amo, mesmo que seja pela web, mas me irrita tão profundamente não ouvir a voz deles...

Hoje em dia, nos espaços abertos dos orkuts e msns da vida, todo mundo está cheio de "amigo", mas no fundo, no fundo, são tão poucos os amigos! É só fazer uma pesquisa: quantos desses amigos virtuais trocam telefones? Quais desses já se falaram pelos telefones fixos? Não sei porque cargas dágua, agora está instituído que só se deve telefonar para o aparelho móvel das pessoas. Ligar então para o velho e tradicional telefone de casa ficou relegado a emergências. Só quem liga para meu número fixo são os parentes de mais de 40 anos e as operadoras de cartão de crédito. E esses chatos do telemarketing, é claro.

Meu celular, por exemplo, não pega em casa de jeito nenhum. Por conta disso, já fui obrigada a ouvir um bando de amigos me dando bronca, porque não me acharam. E depois, ainda me vêm com a cara de pau de dizer que não decoraram ou não anotaram meu novo telefone (que já é meu há três anos!). E o meu marido, que por vezes não consegue falar com aqueles amigos do peito, porque não tem anotado os telefones de casa dos caras? Como assim???

É engraçado, porque eu mesma sou a primeira a "falar" com um bando de gente por e-mail e orkut. Gente da qual sinto falta. Pessoas com quem já trabalhei ou estudei. Primos que moram longe. Primos que moram perto, mas que a vida afastou. Amigos das antigas. Alguns até trabalham num escritório ao lado, mas, sabe como é, né, não podermos falar pelo telefone, afinal nossos chefes estão de ouvidos atentos, doidos para nos dar broncas. E a gente acaba marcando aquele almoço por e-mail ou msn mesmo.. Que saco! Onde foi parar o tempo e também a predisposição alheia de pegar um telefone para falar e se fazer ouvir, por um minuto que seja?

Nesse ponto, tenho uma inveja danada da minha mãe. Não só porque ela é aposentada e tem todo o tempo do mundo para aplicar no contato com os amigos, mas principalmente porque a geração dela não tem essa mania de se falar pela web. Ela nem sabe mexer no computador, sequer sabe o que está "perdendo".

Minha amiga, a mais online de todas, estudou comigo no colégio e nós voltávamos todos os dias de lá tendo altos papos no ônibus. Além disso, íamos uma à casa da outra, viajávamos juntas... Ou seja, eram horas e horas de vozes sendo ouvidas. Pois bem, foi ela que me convidou pra entrar no orkut, quando a maioria das pessoas nem sabia o que vinha ser esse lance internético com nome de lactobacilos vivos. Eu demorei à beça para finalmente me deixar seduzir e entrar na "comunidade". Só me loguei depois que ouvi dezenas de amigos comentando: "não te achei no orkut"...

Quando aderi à onda, tive problemas com o computador de casa e não tinha acesso pela máquina do trabalho, por isso, ficava um mês sem acessar. Quando conseguia adentrar no tal site, eis que me via perdendo diversas oportunidades de rever os amigos. Poxa, até festas importantes, tipo aniversários ou reencontro de uma galera que não se vê há séculos... Até isso perdi porque não entrava no orkut! Como assim?? Pra uma pessoa como eu, que adora reencontros, festas e movimento em geral, esse tal de orkut deveria ser um achado...

Porém, mesmo inevitavelmente usuária, continuo dizendo: não gosto dessa comunicação que, como o próprio nome diz, é virtual. E quando comecei a escrever esse texto, dizendo ter inveja da minha mãe, me dei conta de como pode ser terrível a aposentadoria da minha e das outras gerações que se seguirão depois dela. Ao invés de usarem o tempo livre para curtirem os netinhos e reverem os amigos que também estão de bobeira, os "velhinhos" estarão todos com preguiça de sair de casa, por conta de dores no pescoço e na coluna, dores acumuladas de tanto tempo usando o computador. E, como já será tarde para reverter o quadro, eles continuarão a fazer aquilo que sempre fizeram: ficarão horas e horas no computador, "falando" com os amigos virtualmente. Se bobear, até para matar as saudades dos netos eles precisarão dos msns da vida. Imagina só que lindo será o diálogo onomatopéico dos idosos com crianças de 3, 4 anos, que provavelmente já saberão "escrever" no computador?

Que me perdoem os abstêmios, mas onde vão parar os minutos de prazer que só costumam sair das bocas reprimidas dos amigos depois de alguns muitos goles de chope? Onde vai parar o tradicional chope com os amigos? Assim os bares vão falir, meu Deus! "Denise está chamando", o filme, já previa até que os namorados não iriam se ver, e sim transar pelo telefone e internet. Os amigos se esconderiam por detrás dos celulares e computadores. Mas e o chope: onde vai parar o chope?

Como não tomo chope, só vinho e caipirinha, já me decidi. Se quando eu me aposentar, o povo ainda estiver nessa de contato virtual, vou trocar os amigos pelo meu vinho e mandar todo mundo praquele lugar. Me recuso a conversar com várias pessoas ao mesmo tempo pelo MSN e esperar as frias respostas dos amigos chegarem via e-mail ou scraps. É melhor ficar bêbada, sozinha e feliz do que ficar catatônica, com dores nos dedos de tanto teclar, em frente a um computador, contando o número de amigos e scraps do orkut.

Ser ou parecer? Eis a questão (poema)

Pareço ser careta,
mas não sou.
Pareço ser ninfeta.
Já passou.

Pareço ser boazinha.
Quem me dera!
Pareço ser mansinha,
mas sou fera.

Pareço ser alegre,
mas sou triste.
A alegria aparece
e a tristeza persiste.

Pareço ser uma boba,
devo ser,
afinal, perco meu tempo
em te dizer.

Será que você não entende?
Não é fácil perceber?
As pessoas se escondem,
fingindo ser
ao parecer.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Idiotas Completos (poema)

Não excluo pessoas
e sim atitudes.
Todos têm seus vícios,
mas também suas virtudes.

Se por acaso sou obrigada
a conviver com alguém,
procuro entender seus defeitos,
e qualidades também.

Se as diferenças me irritarem,
trabalho a angústia dentro de mim.
Não pode ser culpa só do outro.
Por que o fulano me irrita assim?

Geralmente, há um motivo,
por mais bobo que seja.
Pode ser que aquele corpo
tenha algo que você deseja.

Pode ser apenas cisma
porque ele é aquilo e você não.
O nome disso é inveja,
raiva criada da frustração.

É por isso que não excluo,
não odeio, não deleto.
Sei que todos somos humanos,
e uns idiotas completos!

Algemas Gilmar Mendicator (humor)

Propaganda do produto revolucionário das Organizações Tabajaras* para Daniel Dantas e afins:

Cansado de ter sua prisão preventiva decretada injustamente? Você não aguenta mais aparecer na TV com aquelas algemas horrorosas e ordinárias? Seus problemas acabaram! Chegaram as Algemas Gilmar Mendicator! Cravejada de strass, a pulseira Brilhantes é tão luxuosa que nem vai parecer que você está preso! Já a versão em acrílico transparente fará com que suas mãos pareçam estar soltinhas da silva, até nas imagens exibidas em telas de HD TV.

Ligando agora, você ainda ganha um incrível par de algemas de pelúcia laranja, para vestir as delicadas mãozinhas de sua irmã, esposa ou outro laranja qualquer com um ar super fashion!

Faça seu pedido agora! Ligue para 1711 -7171, para comprar suas Algemas Gilmar Mendicator. E ganhe de brinde essas fantásticas algemas de pelúcia laranja! Ou peça pelo site: http://www.stf.tabajaras.com/

E no http://www.marianavalle.com/, você também pode dar sua opinião. Se a justiça fosse feita e Gilmarzinho tivesse sua prisão decretada por recebimento de suborno e outras coisitas, qual modelo de algema lhe cairia melhor? Participe! É só clicar em "Comentários" e mandar bala. A gente se vê por aqui!

*A invenção do produto/propaganda é minha. Só me apropriei do nome "Organizações Tabajaras" porque eu posso, afinal ex-moradora da Ladeira dos Tabajaras é pra sempre das organizações!

Quando te vejo (poesia erótica)

Minha fala se cala
e se tranca em minha boca,
explode no desejo por teu beijo
e me faz tirar a roupa.

E assim me perco nos teus olhos,
profundos e negros, a me sorrirem.
Te faço o leito, te dispo a roupa,
te dou o peito, me deixas louca.

Nossos corpos vão se tocando
e se embrenhando no azul lençol.
Nossos poros vão dilatando
e a pele queima tal qual o sol.

Te lambo o sal, te dou meu céu
e enfim mergulhas lá no meu mar.
Então navegas, submarino,
até o amor nos aflorar.

Na calada da noite (mini-conto)

Ela foi acordada por um barulho na casa. Parecia ter alguém por ali. Ela quase podia ouvir a respiração do intruso. Lentamente, e embriagada de sono, levantou-se da cama e se espreguiçou com prazer. Mas então se lembrou: tinha que desvendar a origem do som invasivo. Empurrou a porta do quarto do casal e se esgueirou pelo corredor escuro. Pela visão que tinha da sala, ficou com a impressão de que a televisão estava ligada. E realmente estava. Foi aí que ela se desabalou a correr em direção ao sofá. E sentou ao lado da menina, que assistia a um filme. Assim, poderia ganhar mais uns cafunés antes de pegar no sono mais uma vez. "Como é bom ser cachorra, adotada por uma família tão carinhosa como essa", pensou a vira-lata, antes de dormir de novo.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Sobre o medo (artigo)

O medo é uma merda. Em todos os sentidos. Tudo bem que está comprovado cientificamente que ele aciona uma determinada substância que põe o corpo em estado de alerta. É como se ele acendesse uma luzinha que nos protege em determinadas situações. O problema é quando essa luz acende na hora errada e acaba ofuscando as visões, cegando temporariamente as pessoas que estão por perto. É aí que mora o verdadeiro perigo. É dessa cegueira que se deve ter medo!

Por causa do medo de engordar, as mulheres comem mal, fazem loucuras e estragam a saúde. O receio de envelhecer também faz a mulherada cometer as maiores sandices em nome da eterna juventude. O medo de perder uma promoção ou cargo para o colega ao lado faz os funcionários virarem verdadeiros fantasmas, sem vida pessoal, máquinas tratoras a passarem por cima de tudo e de todos para se manterem no emprego. O medo de perder o filho faz a sogra implicar com uma mulher que nem sequer se deu ao trabalho de conhecer. O temor em ficar falado perante a sociedade também faz os sujeitos cometerem as maiores doideiras em nome da imagem. O medo do fracasso faz o povo manter tudo como sempre foi, mata a espontaneidade, a criatividade e a inovação. Não permite que novas idéias sejam desenvolvidas.

E o mais irônico disso tudo é que o medo acaba por gerar aquilo que o sujeito tanto teme. Se o cara receia tanto a agressão do outro, por que já começa sua relação na defensiva? Ele não vê que isso só fará inspirar no outro a desconfiança, instigando aí o nascimento de um motivo para brotar a tão temida agressão? A sogra não percebe que se já iniciar sua relação com a nora na posição de inimiga vai estar dando motivos para a norinha se afastar e eventualmente até "roubar" o filho dela? As mulheres neuróticas por cremes, botox e plásticas não percebem o quanto esses artifícios as deixam com cara de que querem esconder a idade? Ou seja, por que elas haveriam de querer esconder a idade se não estivessem velhas?

Por isso, meu conselho hoje é um só: viva a vida de peito aberto! Pense na sua saúde, inclusive a mental. Coma aquilo que gosta e com certeza você ficará bonita, porque felicidade embeleza, não engorda e não tem contra-indicação. Pare de pensar na velhice que ela demora mais para aparecer. Faça o seu trabalho da melhor maneira possível. O que é seu está guardado. E não se esqueça de dar atenção a sua família e seus amigos, porque quando outra pessoa mais nova roubar o seu lugar no trabalho, é com eles que você poderá contar. Viva a vida conforme seus princípios, conforme dita o seu prazer. Assim, sua imagem com certeza será a de uma pessoa feliz. E felicidade deixa qualquer um lindo. Os outros vão falar, claro. De inveja. Trate bem sua nora, seu genro, sua sogra, seu sogro, cunhados, enteados e madrastas. Se eles vão fazer parte da sua família é bom se dar bem com eles. Tente, invente, sempre que der faça diferente. Na pior das hipóteses, você não terá fracassado por não tentar. Não crie expectativas negativas. Sem querer dar uma de apóstola da lei do Segredo, mas já pegando carona na teoria, pensamento positivo atrai coisas positivas.Você já se deu conta do poder que tem em mãos?

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Sobre a prisão dos militares gays (artigo)

A prisão do sargento Laci Araújo e seu companheiro, Fernando Alcântara, é um belo (pra não dizer péssimo!) exemplo da homofobia do exército. Mas, nesse caso, não grita apenas a homofobia (aversão, preconceito, medo de homossexual). Berra em alto e bom som a hipocrisia.

Enquanto o sargento veadinho (se é que eles não o chamaram de nomes piores) exercia sua homossexualidade com discrição, ok, eles o "aturavam". Foi só o cara resolver falar de sua vida amorosa à imprensa (Revista Época) para o exército querer cortar as asinhas de seu dedicado funcionário e puni-lo com a prisão. E ainda fez o mesmo com o companheiro dele! Afinal, a transgressão sexual, desvio, sei lá como eles chamam, a diferença é aceita até em altos postos das "conceituadas" forças amadas se os transgressores não fizerem alarde de sua sexualidade. Agora, assumir em público que um militar é gay é manchar o filme da instituição, não é mesmo?

O marido do sargento Laci, Fernando Alcântara, afirmou que foi torturado pelos companheiros de trabalho. Se bobear, tinha aí no bolo de espancadores um ou mais homens que gostam de relações anais com outros homens. E mesmo que não tivesse, aproveito agora para dizer o que sempre pensei sobre a homofobia: será que esse ódio todo aos gays não são resultado de um medo danado de virar gay? Sei que existe violência banal, sem motivo, e a violência com diferentes, mas temo ainda mais a violência pela privação. Não se bate ou se mata só para roubar comida ou dinheiro. Pode se agredir pela privação de desejos reprimidos. Muitas vezes a agressão vem pela inveja e pelo medo. Inveja de não conseguir ser o que o outro é, como, por exemplo, ser assumidamente gay. A privação de ser gay. E medo da tentação. Medo de como o outro pode mudar o seu tão formatado mundinho se você resolver abrir as portas pra ele entrar, literalmente. Afinal, não dizem que os homens que experimentam o lado de lá gostam tanto que não voltam mais? Não digo que isso explica tudo, todos os casos, mas são coisas para se pensar, você não acha?

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Comentário de Paulo Sérgio Valle

Aqui havia um índice, mas toda vez que eu publico um novo texto, crio um novo índice e apago o antigo, para que o índice seja o último post publicado, como se fosse a home de um site (coisas de quem tem dificuldade com a tecnologia). Só não apago este post porque resolveram fazer um comentário justamente nesse índice. E os comentários a gente não deleta! Ainda mais o comentário carinhoso de um primo distante e famoso a quem admiro muito: o compositor e escritor Paulo Sérgio Valle.

Acúmulos e fartura (conto)

Ela adorava acumular coisas. Desde pequena, acumulava palavras, histórias, sorrisos, beijos e brincadeiras. O quarto era cheio de bonecas, cores e brinquedos. Para compensar o fato de não ter irmãos, acumulou também os amiguinhos. Comida era outra mania. Desde muito pequena, ela se sentia totalmente protegida na dispensa da avó. Ali, nunca faltava biscoito, doces e delícias em geral.

Quando ela virou adolescente, veio a separação dos pais e a diminuição da renda familiar. Foi quando ela passou a cultivar o estranho hábito de abrir os armários da madrasta. Sempre que lhe angustiava a falta de amor naquela casa, ela corria para o banheiro e escancarava o sorriso ao dar de cara com todos aquelas porções extras de cotonete, papel higiênico e pasta de dente. Aquilo lhe dava um alívio imenso.

A adolescência e a juventude também foram fases de acúmulo de namorados e casos passageiros. Ela não se contentava com um só amor, verdadeiro e duradouro. Se a relação acabasse de repente, como é que ela ficaria? Não ter um ou mais reservas era totalmente proibido.

E então, ela acumulou problemas, quilos a mais, lágrimas e, mais uma vez, amigos. Muitos pretensos amigos. Ela tinha que esquecer as próprias dores cuidando dos sofrimentos alheios. Ela adorava acumular os problemas de outrem. Veio a fase do acúmulo de festas, dias na praia e reuniões que varavam as madrugadas em sua casa.

Depois, na época da faculdade, ela não acumulou livros e estudo, mas sim trabalho. Como ela gostava de trabalhar! Ela nem precisava do dinheiro, nessa época, mas adorava acumular trabalho. E, com a renda do trabalho, começou a acumular mais coisas novas. Principalmente música e roupa. Dois vícios.

Quando ela engatou num namoro sério, deixou um pouco de lado os amigos. Mas continuava acumulando trabalho e roupas novas. E nas segundas-feiras, quando voltava da casa dos pais do namorado, acumulava reclamações. Ela sofria por gastar tanto tempo presa na casa dos outros. Não saía mais de casa, quase não via os próprios amigos. Só acumulava trabalho, muito trabalho, e horas à toa na casa dos sogros. Que saudades da sua vida de festas, saídas com os amigos... Que saudades da sua liberdade!

Então ela se casou. E continuou a acumular trabalho e roupas. No início do casamento, ela voltou a acumular reuniões com amigos em casa. Que maravilha! Agora ela não precisava mais ficar enfurnada o final de semana na casa dos outros. E cada dia vinha um amigo diferente curtir a casinha dela, lar dos recém-casados.

Foi nessa época que ela começou a acumular rolhas. Para cada vinho aberto e consumido em casa, ela guardava a rolha numa bandeja. Os amigos pararam de frequentar sua casa, mas a bandeja continuava se enchendo de rolhas. Então ela comprou uma garrafa de vidro gigante, que hoje tem metade de sua extensão lotada de rolhas.

A menina que acumulava trabalho não tem mais trabalho e, por conta disso, teve que parar de acumular roupas também. Não há mais dinheiro para acumular nada. Só acumula histórias (ela não pára de escrever) e reclamações do marido, que continua acumulando trabalho e dinheiro e, apesar de respeitar, não entende a fase vivida pela mulher.

Os amigos também estão longe, ocupados com seu acúmulo de filhos, trabalho e problemas. Os beijos, abraços e sorrisos dos pais, ela também não acumula mais. Eles também estão longe. A dispensa da avó também é relíquia do passado.

Agora, a menina que acumulava tudo, só tem uma coisa para acumular: tempo. Até que enfim! Assim, ela pode finalmente encarar a verdadeira fartura da vida. E, sem o peso do acúmulo supérfluo nas costas, pode enfim chegar muito mais longe.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

A verdadeira aliança (artigo)

Anteriormente, postei aqui algumas reflexões sobre a novela Duas Caras. Agora, confesso: não comecei a escrever por achar necessário tecer minha crítica da novela. Não. Desde que parei de trabalhar na Globo nunca mais me prendi por qualquer programa de televisão que seja. Assisto quando não tenho coisa melhor pra fazer e vou zapeando pra ver o que acho. Nessas idas e vindas, muitas vezes a preguiça de procurar algo bom e a curiosidade de saber sobre o que o povo na rua tanto fala, invariavelmente acabam me deixando parar em frente a novela das oito. Mas foi assistindo a uma cena que fazia brilhar as alianças de casamento de Maria Paula e Ferraço que me motivei a começar a refletir sobre a novela. O texto abaixo foi o meu primeiro sobre a trama de Aguinaldo Silva. Só não o publiquei junto com as outras reflexões, porque ele não é crítica ao trabalho do autor. É fruto apenas de uma carona que peguei na contemplação de uma imagem da novela para falar de minha relação (inexistente) com jóias e alianças. Depois disso, gostei da brincadeira e acabei me empolgando com alguns finais que o autor escreveu para seus personagens. Mas agora, atenhamo-nos à tal cena das alianças.

QUARTO / DIA - Ferraço e Maria Paula dormem nus, na cama de recém re-casados. A câmera percorre seus corpos abraçados e o brilho de suas alianças grita na tela. Então me dou conta de porque não gosto de usar jóias nem muito brilho. Além da minha pele não gostar do contato permanente com o metal (Freud explica), há a questão estética. Não sou linda por fora, mas não quero que, da minha imagem, se sobreponha o brilho dos acessórios. Quero que brilhem meus olhos, meu sorriso. Quero que minha alma cintile para iluminar meu caminho e os lugares onde eu eu estiver. Tenho a impressão que muitos acessórios, brilhos, badulaques, acabam por desviar a atenção do que realmente importa: a pessoa que está vestindo aquilo tudo. Sem contar que o excesso faz as pessoas parecerem árvores de natal, né, vamos combinar!

Voltando ao anel matrimonial, apesar de achar bonita a significação simbólica do objeto, tenho certeza de que a verdadeira aliança do casamento não está no (vil) metal. Não preciso de um bambolê de dedo pra me lembrar do meu compromisso com meu marido. A rotina se encarrega disso. E como! E sem amor verdadeiro e muita vontade de dar certo, não há aliança que segure a relação. Como não gosto de anéis no meu dedo, tenho certeza de que não é necessário me auto-impingir o uso da aliança só para seguir a tradição ou dar satisfação pra estranhos.

Antes, admito, me sentia culpada por não querer usar. Meu marido usa, gosta dessas coisas e a maioria das pessoas que me rodeiam usam. Outro dia, no meio da semana, saí com ele na rua, sem aliança, mas com vestidinho curto e salto alto, em pleno horário de almoço. E ele de terno, com a bendita aliança no dedo. E não é que passou pela minha cabeça: "xiii, do jeito que estou, vão supor que sou sua amante"? Foi então que me dei conta: que pensem! Já imaginou que privilégio a mulher estar há 11 anos com um cara, quatro deles dividindo contas, casa e problemas e mesmo assim ser vista como amante desse cara? Isso definitivamente não é pra qualquer uma. É um luxo! Pois agora está decidido: amo cada vez mais meu marido, mas não uso mais aliança.


Leia o que escrevi sobre os finais da novela, aqui.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Repaixão (poesia erótica)

Estou apaixonada mais uma vez.
Encantada com tua voz.
Teus olhos negros tão profundos,
de ti me inundo, vontade atroz.

Teu corpo macio me aconchega,
me aquece a alma, me deixa cega.
Só vejo amor, esqueço o mundo,
me dá tua mão e me carrega.

Me leva pra longe de todo barulho,
e me derrama em tua cama.
Esqueceremos o nosso orgulho
e deitaremos em nossa fama.

Porque é pra isso que estamos aqui,
para explorar nossa libido.
Afinal, estou amando,
me apaixonei por meu marido!