segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Os príncipes e os Shreks (artigo)

Já estou casada há tanto tempo que até esqueço de escrever sobre a solteirice e aquela fase de "ficar" com um bando de desconhecidos sempre a procura do príncipe encantado. Salvo em poemas e contos, onde consigo me desapegar totalmente da minha realidade, aqui nos artigos acabo sempre falando de mim e de pessoas que me cercam. Mas então, mesmo com quase nenhuma amiga solteira no pedaço, vou tentar encarar o assunto, com um pézinho fincado na minha realidade de outrora. Foi lendo Martha Medeiros (adoro!!!) que tive vontade de tagarelar sobre o seguinte assunto: a eterna procura da mulher pra casar e do terrível príncipe encantado. Vocês já repararam como é custosa essa busca sem fim?

E não digo isso por ter me decepcionado. Não. Estou muito feliz no casamento. A quem interessar possa. Mas até o meu casamento é um ótimo exemplo de que, se formos ficar esperando pelo príncipe encantado, corremos o sério risco de deixar passar o grande amor da nossa vida. Sim! Eu fui uma que não me apaixonei pelo marido à primeira vista. Por mais que ele odeie que eu nos exponha tanto, tenho que confessar: nem eu, nem ele, estávamos tão interessados assim um no outro quando nos conhecemos, mas resolvemos ver no que dava. E deu. Ah, se deu! Quando fui ver, já não tinha escapatória: estava perdidamente apaixonada. Mas, por que estou falando disso? Elementar, caras solteiras e solteiros de plantão. Porque, se eu fosse levar ao pé da letra todas as minhas exigências, não teria começado a namorar com o meu marido. Aliás, nem ele teria me namorado, eu acho. Vou citar só dois motivos, pra ele não separar de mim de raiva: ele é mais novo do que eu e era - hoje não é mais - gordinho. Tanto os quilos a mais como a idade a menos pesam muito pouco. Ele tinha uns dois, três quilos a mais e apenas um ano a menos que eu, mas isso pra quem tinha acabado de sofrer por outra paixão e tinha um medo gigantesco de se apaixonar era o mesmo que dizer que o cara era gay, ou namorado da melhor amiga, ou seja, proibido, proibidão! Quanto a ele, não posso falar, posto que é um gentleman e, ao contrário de mim, é discrição pura, mas, mesmo assim, desconfio que ele também não teria vontade de sequer ficar comigo de cara se soubesse que meu cabelo era encaracolado (bendita escova!), se soubesse que penso tão diferente dele em tantas coisas importantes. Ele sempre gostou de cabelos lisos e deve ter tomado o maior susto quando me viu de cabelo armado, todo elétrico. Mas isso foi só no quinto encontro. Já tinha rolado muito papo, beijo, enfim...

O que importa, no final das contas, é que tanto eu como ele acabamos abrindo espaço um pro outro em nossas vidas e, quando nos demos conta, percebemos que foi o melhor que podíamos ter feito. Bom, pelo menos eu acho assim. Espero que ele também. E isso, caros solteiros, não aconteceu apenas conosco. Com uma grande amiga ocorreu um caso bastante semelhante. Separada de um cara, seu único amor, ela não queria ver homem nem pintado de ouro na sua frente. No entanto, quando um amigo de colégio apareceu, ela resolveu lhe dar um crédito. Ficou com o cara. Achou estranhíssimo e jurou de pé junto que, apesar de gostar muito dele como pessoa, a tal da "pele" não bateu de jeito nenhum. Pois bem. Um ou dois anos se passaram. Ela tornou a ficar com ele. E não é que dessa vez ela gostou? E depois de poucos reencontros, começou a se apaixonar de uma maneira que até então nunca experimentara. Hoje sai toda saltitante pela rua quando está prestes a se encontrar com o namorado. Nem parece mãe de família, avó e titia. Tá muito mais pra adolescente apaixonada!

E pra não ficar só em histórias femininas, lembro ainda do comentário de uma amiga sobre um amigo nosso em comum. Enquanto todos os meninos do colégio já estavam casados ou de namoro firme, nada do menino arrumar uma namorada. Ao que a tal amiga comentou: "O problema do fulano é que ele é muito exigente. Pra ficar com ele - um cara inteligentíssimo, diga-se de passagem - a mulher não pode só ser bonita, mas tem que ser inteligente, culta, bem de vida, magra, etc etc. Outro dia apresentei uma mulher que tinha tudo isso, mas ele não gostou. Disse que tinha o nariz grande." E não é que hoje em dia esse cara tá namorando firme uma menina que tem todas essas características, não é a tal amiga da amiga, mas coincidentemente também tem um nariz meio grande? Elementar, caros solteiros. O fato de ser inteligente na escola e no trabalho não faz da pessoa inteligente emocionalmente. Era isso que faltava no tal carinha. E acredito que é exatemente isso que ele está aprendendo com a bonitona e inteligente mulher do narigão (coitada, nem é tão grande assim). Falo de inteligência emocional. Para encontrar um grande amor, a mulher pra casar ou o príncipe encantado, não basta ser lindo, loiro, inteligente, rico, maravilhoso. Tem que ter inteligência emocional e menos preconceito, tem que estar aberto para os Shrecks da vida. Tem que ver que os ogros também amam e merecem ser amados. E muitas vezes são mil vezes melhor do que os príncipes. Seja você uma Princesa Fiona-Ogra ou Cinderela da vida. Afinal, nem tudo é faz de conta. Além do que ensina o maravilhoso e moderno Shrek, existe um conto de fadas bem mais antigo mas não menos realista. Ou você nunca ouviu falar no sapo que vira príncipe depois de beijado?

5 comentários:

FreakShowBusiness disse...

Tem também os feios e feias (ou simplesmente sem-graças) que, por alguma razão, pegam geral.

TINOKIA disse...

Mari,
eu sou um execelente argumento pro seu artigo. Me casei com um cara que era meu amigo há anos e nunca havíamos nos olhado "diferente". Apesar do título de "amigos" estar sacramentado, resolvemos experimentar. E não é que deu certo?
bjs
Babi

Pachá disse...

"Há sempre uma tampa na medida para uma panela velha"
Johnny Tramontina.

Mariana Valle disse...

Pachá,
"E panela velha é que faz comida boa... " não lembro o nome do compositor.

Tinokia,
Amizade é uma das mais completas formas de amor! Lembra do Robson? Daquele jeito engraçado dele, disse pra mim, naquela época, naquele bar de rock, lá em Ipanema ou Leblon, esqueci o nome, velhice é uma m#$%@ "Pena que namoramos, agora nunca mais seremos amigos como éramos antes, como vejo que você é agora do Stefano. Só ele mesmo! Meu pai e minha mãe separados são quase irmãos hoje. Lindo!

Bjs a todos.

As Turcas disse...

Inteligente emocionalmente...É isso mesmo.Demorei para perceber isso...