domingo, 15 de março de 2009

Chega de aglomerações

Como é que a gente pode mudar tanto com os anos? Antigamente, eu adorava uma aglomeração de gente. Nunca fui fã de multidão, mas adorava ir a shows em lugares abertos, festas da moda, frequentar grandes grupos, fossem eles no colégio, no trabalho, no prédio, rua, academia... Hoje não. Por mais que eu tivesse ido ao show da Madonna da outra vez, e dessa última tenha ficado só no sonho, por mais que o show dos Rolling Stones tenha sido o melhor show da minha vida e nesse último na praia eu tenha até tido uma vontadezinha de repetir a dose, hoje descubro que não, não queria ter ficado na chuva espremida com aquele povo todo de histéricos para ver minha diva. Da outra vez eu vi tudo pelo telão. E, mesmo assim, pintou uma emoção de ver a loira sabendo que ela estava ali tão perto, mas lembro que foi especial porque eu estava com amigos especiais, o que fez tudo ter um gosto diferente. E não, não queria ter enfrentado a multidão na praia de Copacabana para ver o Rolling Stones de novo e ter, quem sabe, um novo melhor show da minha vida pra ficar na memória. Não tenho mais tesão em ficar em lugar lotado. Primeiro, porque não tenho mais muita disposição, deve ser a idade. Segundo, porque nesses lugares preciso de espaço. De um mínimo de chão para dançar e de ar para respirar. E, como sou baixinha, acabo só dançando mesmo, porque acabo não enxergando nada se eu estiver a pé, no meio da muvuca.

Então sigo o pensamento para chegar na verdadeira reflexão. Não estou aqui pra levantar nenhuma bandeira de que show e/ou aglomeração de gente não é bom. Pelo contrário! Tenho inveja de quem ainda tem disposição pra isso. Por exemplo, no momento, tô ouvindo um blues genial (não me pergunte qual é a música, porque eu não sou o Pablo do SBT e é numa rádio da internet (92.9 de Nova York) cujos nomes das músicas não aparecem e eu não sou conhecedora de música a esse ponto). Mas, se show de blues fosse uma coisa que rolasse só com grandes platéias, eu iria sofrer por nunca mais ver um. Pelo menos quanto a isso não posso reclamar. Blues tem tudo a ver com pequenas casas de show, como uma que eu fui, essa sim, posso dizer também, ocasião que foi um dos melhores shows da minha vida. Foi em Nova York, no Blue Note, apresentação do Dizzie Gilespie All Star Big Band. Sensacional! Comemoramos meu aniversário em grande estilo: eu e meu marido. E aqui chego ao ponto que queria chegar. Estou cansanda de ficar exposta a muita gente. Não tenho mais forças pra falsidades, não tenho mais tesão de fazer teatrinho. Agora só tenho vontade de estar com quem gosto, com quem confio, com quem combina comigo. E são tão poucos...

Até no trabalho. Estou tão feliz por trabalhar numa agência de publicidade relativamente pequena. Ontem mesmo, o sócio comentou que a meta era aumentar para o dobro o número de funcionários e já me deu até um arrepio de medo. Socorro. Eu estava gostando tanto do jeito que tá... Vou ter que enfrentar de novo competição, gente puxando meu tapete, gente com inveja, disse-me-disse, ti-ti-ti, pirralhas imbecis trocando baboseiras pelo MSN e orkut, falando mal de você por trás e pela frente te dando sorrisinho cínico, gente com medo de você mesmo que você, inocentemente, queira ser amiguinho, mulheres inseguras com inveja de você pelo simples fato de você existir e ser mais exuberante, inteligente, talentosa ou até porque o fulano que você nem sabe quem é sente tesão por você, mas não por elas? Ah...me poupe! Deve ser isso. Estou cansada. E velha. Não tenho mais paciência pra humanidade. Socorro! Será que estou muito pessimista?

Ok, confesso. Estou na TPM, mas, descontando isso, será que estou totalmente errada ou é assim mesmo que andam os ambientes? Cansei. Cansei de gente competindo, querendo se sobressair pelas amizades, pelo gosto/cultura/conhecimento/informacão privilegiada, pelo fato de transar com o chefe, pelo fato de ser mais bonita, por estar há mais tempo na empresa. Por que tanta competição?? Por isso escrevo cada vez mais. E vou adorar quando chegar o dia em que eu estiver ganhando dinheiro só escrevendo, a ponto de poder fazer todo o meu trabalho de casa. Sonhar não custa nada... E você? Gostaria de trabalhar em casa também? A vida te fez mais ou menos sociável depois dos 30?

4 comentários:

Clauky Saba disse...

maravilha!

grata pelo apoio. falo em nome da Poesia e de todos nós ;-)

kisses poéticos

Clauky

Mariana Valle disse...

Aviso: este comentário da Clauky foi feito quando esta postagem era sobre a Semana da Poesia. Por um erro meu, publiquei outro texto no lugar e passei a Semana da Poesia pra cima, para um novo post. Então, bem... Não preciso explicar mais nada.

Valeu Clauky. Nunca é demais divulgar a poesia.

Bjs

Flávia Motta disse...

Que alívio saber que existe mais alguém que se cansa com pessoas...

Anônimo disse...

Mari, olha, fui nesses dois shows que vc não foi por causa da multidão e amei, os outros não me incomodam, sou muito eu demais para me preocupar com os outros.
Fui na Madonna, na segunda, sem chuva e com muito espaço para dançar e só paguei R$60,00, e com amigos que amo, dançei taaaanto e me emocionei com várias músicas que sei cantar toda a letra.
Continue escrevendo, estou lendo...
Beijos e saudades.
Sabra.