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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Por que falar de sexo ainda choca as pessoas? (artigo)

Escrever é mesmo muito bom. Por vários motivos. Primeiro, porque acaba sendo uma maneira de se conhecer melhor. Uma espécie de auto-análise. Segundo, porque é mesmo muito gratificante saber que suas palavras emocionaram ou ajudaram alguém a ser mais feliz. E, em terceiro lugar: é divertidíssimo reparar a curiosidade alheia sobre o quê da sua escrita efetivamente aconteceu na sua vida e o que é apenas ficção. E é exatamente sobre isso que quero falar.

Antes de tudo, preciso confessar. Escrever é altamente libertador. Porque no poema, conto, crônica, artigo ou romance, você pode fazer tudo o que sempre teve vontade, mas nunca teve coragem de fazer. Você pode ser o que der na telha, sem medo da reação alheia. E esse é um dos pilares fundamentais do bom escritor. Não se pode ter medo do que os outros vão pensar. Já basta vivermos assim, sempre guiados pelas expectativas alheias. E não venha você me dizer que é exceção! Afinal, quem é que nunca fez algo para ter a aprovação dos pais? Quem é que nunca mudou alguma coisa apenas para agradar o ser amado? Quem é que nunca sufocou vontades e verdades internas para ser aceito, seja na escola, sociedade, trabalho ou família? É por isso que digo para quem pensava que me conhecia e que levou um susto ao conhecer minha escrita: sou muito mais o que deixo transparecer naquilo que escrevo do que o que pareço ser no trato pessoal.

E é exatamente aí que entra a questão do erotismo, tão presente nos meus textos. É muito engraçado reparar como, em pleno século XXI, como as pessoas são hipócritas. Alguns comentam: “Nossa, você está cada vez mais ousada!” Claro, pensar em sexo o tempo todo e fazer sexo à vontade não é ser ousado, mas transformar isso em poesia, conto ou crônica é impressionante, uma ousadia só.

Outros fazem cara de santos e comentam: “Nossa, nessa ela pegou pesado. Isso não é nem erotismo e sim pornografia.” E, no entanto, são esses os mesmos que adoram contar piadas altamente pornográficas, pra não dizer piadas de baixo calão, baixaria mesmo. Há ainda outros que se dizem chocados. Para quem eu respondo: sexo não é chocante, chocante é a maldade e o veneno que certas pessoas destilam diante de terceiros na vida real. Isso sim é chocante! Repetindo Larry Flynt no filme “O Povo contra Larry Flynt”, chocante são as atrocidades cometidas em nome da religião, em nome da soberania nacional e até em nome do amor. Chocante é a guerra.

Sexo não deveria chocar ninguém. Pelo contrário. Acho até que, se é que já não fizeram, deveriam fazer uma pesquisa de forma a finalmente comprovar uma verdade universal. Quem está sexualmente satisfeito comete menos maldades. Está mais feliz e por isso não inveja a felicidade alheia. Quem é feliz não se incomoda com a felicidade alheia, não precisa extravasar sua infelicidade agredindo ninguém. Vocês já repararam como tem gente que, tal qual vilão de novela, parece gozar quando maltrata alguém? Aquela “amiga” invejosa, aquele chefe tirano, aquela sogra implicante, aquela ex-mulher frustrada... Quantas são as pessoas que cometem maldades, sobre as quais a sabedoria popular sempre conclui: “Não liga não. Isso é falta de pica” Ou ainda: “Essa daí é uma mal-amada.” Ou: “Esse daí é um corno!”.

Quem é amado, quem deseja e é desejado, não perde tempo tentanto fazer o outro infeliz. E o sexo é parte fundamental nesse processo. Se todos literalmente gozassem a alegria de amarem e serem correspondidos, haveria muito menos guerras, muito menos tristeza no mundo. Mas não, as pessoas ainda se chocam ao ler poesia erótica, ao ler um conto “pornográfico”. Quer dizer, isso é o que elas admitem, na frente dos outros! Eu não duvido nada que são justamente essas pessoas que se dizem chocadas, as minhas mais fiéis leitoras. E já até imagino-as esperando pacientemente pelo momento em que ficarão sozinhas em casa. Quando elas correrão para o computador e finalmente poderão ler e reler com calma todas aquelas histórias calientes que tanto as chocaram. E assim irão suspirar, pensando consigo próprias: “como eu gostaria de ter feito isso tudo que está escrito!” Ou ainda: “Que saudade da época em que eu ainda fazia isso...”

É por isso que eu acabo esse texto com uma recomendação: não percam seu tempo se chocando. Leiam, leiam muito sobre sexo, mas não se esqueçam de aproveitarem a leitura como inspiração para a vida real. E, enfim, pratiquem. Nada mais saudável do que gozar a felicidade plena.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

No elevador (conto erótico)

Era um belo dia de verão. Daqueles que só a cidade maravilhosa sabe produzir. Com o corpo fervendo sob o comportado tailleur de marca, ardia no peito de Daniela uma vontade irresistível de andar nua. Mas, embora sonhasse com uma praia, ela estava indo para o trabalho. E, pra variar, atrasada. Por isso, ao entrar no elevador, mirou-se no espelho a fim de dar os últimos retoques na aparência. Como acontece com todas as mulheres quando se olham no tal vidrinho refletor, Daniela esqueceu do mundo à sua volta. Aliás, esqueceu até do motivo que a tinha levado ao elevador: ir à garagem pegar o carro. Por isso, Dani não apertou sequer um botão, mas mesmo assim, o elevador pôs-se a descer. Parou no quarto andar.

Gabriel, o vizinho boa vida que insiste em mostrar os músculos peitorais e abdominais muito bem esculpidos no seu traje informal, short e chinelo, entrou e deu um sorriso acompanhado de um “bom-dia”. Ela, com tal visão do paraíso, lembrou-se do inferno de dia que a esperava: muito trabalho, broncas do chefe, aquela reunião maçante com o cliente mala... Melhor nem lembrar! Daniela então esticou o braço para apertar o 3G, mas levou um baita susto ao ser interrompida por aqueles músculos morenos. Gabriel apertava o botão de emergência, aquele que a gente sempre sonhou apertar um dia para ver como é.

Esta era a sua oportunidade. Daniela sempre suspirou ao ver aquele vizinho e sempre teve curiosidade em saber como seria transar no elevador. Ela só não podia imaginar que iria unir dois desejos num só: traçar o vizinho e ainda por cima no elevador!

Fingindo inocência, afinal de contas um fingimento de vez em quando não faz mal a ninguém, ela lançou um "O que houve?". O vizinho respondeu com um beijo tão ardente que Daniela tinha a impressão de estar queimando nos caldeirões do inferno, não fosse aquele beijo o ato mais divino que experimentara.

A essa altura, já não era mais possível fingir surpresa ou consternação e ela deslizou as mãos por aquela barriga de tanquinho e parou com os dedos na borda superior do short. Foi beijando centímetro por centímetro daquela pele, desde o pescoço até o short, que rapidamente foi tirado com as afoitas mãos de Daniela. O membro de Gabriel estava totalmente ereto e ela não via a hora de senti-lo dentro de si. O vizinho, por sua vez, resolveu despi-la com a pressa de um faminto que come um banquete após dias de jejum.

Os dois corpos escorregaram para o chão, ele por baixo, ela por cima, e assim, encaixados, dançaram num ritmo que começou como o balanço de um barco flutuando por ondas calmas. Pouco a pouco, a maré foi se tornando violenta e, num instante, já lembrava um mar revolto pela tempestade. As ondas iam e vinham de tal maneira intensas que Daniela estava prestes a explodir de prazer num grito.

- AAAAAHHHHHHH!
- Calma - responde o vizinho - apertei sem querer o botão de emergência, mas consegui matar a barata. Viu? Estamos são e salvos, e assim você não vai se atrasar para o trabalho. Tenha um bom dia!

Daniela demorou alguns segundos para se recompor e, quando conseguiu encarar a barata morta no chão, uma lágrima escorreu lentamente pelo seu rosto. Ela não chorava a morte do bicho e sim porque morria ali talvez a única oportunidade de realizar seu desejo.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Quando te vejo (poesia erótica)

Minha fala se cala
e se tranca em minha boca,
explode no desejo por teu beijo
e me faz tirar a roupa.

E assim me perco nos teus olhos,
profundos e negros, a me sorrirem.
Te faço o leito, te dispo a roupa,
te dou o peito, me deixas louca.

Nossos corpos vão se tocando
e se embrenhando no azul lençol.
Nossos poros vão dilatando
e a pele queima tal qual o sol.

Te lambo o sal, te dou meu céu
e enfim mergulhas lá no meu mar.
Então navegas, submarino,
até o amor nos aflorar.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Repaixão (poesia erótica)

Estou apaixonada mais uma vez.
Encantada com tua voz.
Teus olhos negros tão profundos,
de ti me inundo, vontade atroz.

Teu corpo macio me aconchega,
me aquece a alma, me deixa cega.
Só vejo amor, esqueço o mundo,
me dá tua mão e me carrega.

Me leva pra longe de todo barulho,
e me derrama em tua cama.
Esqueceremos o nosso orgulho
e deitaremos em nossa fama.

Porque é pra isso que estamos aqui,
para explorar nossa libido.
Afinal, estou amando,
me apaixonei por meu marido!

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Degusta-me (poesia erótica)

Degusta-me bem devagar.
Hoje quero teu carinho.
Me faz beber, te ver, dançar,
que eu tiro a roupa do teu caminho.

Grudemos os nossos corpos,
os nossos dedos descendo então.
Cabelos, pescoço, tronco,
unhas e línguas,
beijos e mãos.

A unha suave,
o arrepio.
Massagem e pele,
não dê um pio.

Quero gemidos, sorriso e tempo.
O vento leve na água a frio.
Calor crescendo dentro da pele,
vontade louca de entrar lá.

Entremos devagarinho.
Buraco negro do infinito.
Dançando em cima,
meu corpo, insisto.
E você embaixo,
crescendo o ritmo.

Acelerando,
agora é fúria,
tesão, encanto,
amor, luxúria.

Gozemos juntos,
vem, meu amor,
te quero sempre,
com muito ardor.

Me ama (poesia erótica)

Encara meus olhos
e chega mais perto.
Encosta em meu corpo
teu membro ereto.

Arrepia minha nuca
com o ar de tua boca.
Arranha a minha carne
e me tira a roupa.

Beija meus lábios,
me percorre com a língua,
quero sentir tua pele
saber que estou viva.

Me puxa, me empurra,
me amarra, me surra.
Me prende, me ata
e penetra-me a mata.

Acelera o ritmo,
me faz cavalgar.
Me faz pedir mais,
até eu gozar.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Agora (poesia erótica)

Não quero ser tua
na rua,
quero ser nua na tua,
no quarto.

Não te quero só meu,
quero você e eu.

Não quero teu papo
de amor, ilusão, o que for...
Te quero de papo pro ar
comigo a rolar pelo chão...

Não quero a tua cara amarrada,
teu drama. Que nada!
Quero brigar na tua cama,
ser tua sacana, insana
e não namorada ajuizada!

Não sou de fachada
e nem te preciso pra isso.
Te quero sorriso, desejo
e tudo o que sinto
quando te vejo...

Não quero “tentar”
ou fingir que é sério.
Vamos apenas gozar
esse nosso mistério.

E se algum dia,
(quem sabe?)
“o sentimento rolar...”
deixa ele crescer
e a gente vê no que dá.