Se no início eu reclamava verborragicamente da frieza e catatonia da internet, como vocês podem recordar nos textos Você já chateou hoje?, Amizades Virtuais, Geração MSN e Perguntas sem Resposta, hoje em dia, posso dizer que estou me divertindo e tirando bastante proveito desse ambiente cibernético. Afinal, ter visão crítica é imprenscindível, mas se tem uma coisa que odeio é gente que só reclama da vida e do mundo e não faz nada para se ajustar a ele. Não estamos vivendo em meio a blogosfera, msns e orkuts da vida? Então temos que jogar a ignorância tecnológica de lado e aprender a nos aproveitar do sistema! É por isso que digo: só tenho a agradecer a internet. Além de ter me trazido meu marido (sim, o conheci pela Internet há 12 anos!!), graças às ondas virtuais, tenho lido coisa à beça. E tido acesso a autores maravilhosos. Alguns nem sequer lançaram livros, como a Bruna Demaison, que, até onde eu sei, participou apenas de uma coletânea de textos do site Os Tribuineiros, site aliás que me fez ficar fã ainda dos escritores Felipe Moura Brasil, o Pim, Carlos Andreazza, o C.A, e, mas recentemente, José Guilherme Vereza. Mas, no momento, estou aqui para pegar carona no delicioso texto da Bruna, sobre a crise dos trinta.
Num texto muito bem escrito, como sempre, Bruna destila sua inteligência, acidez e comicidade reclamando que, ao contrário do que se apregoa por aí, fez trinta anos e não teve crise nenhuma. O problema é que ela acabou de fazer trinta anos. Para mim, por exemplo, foi uma das melhores fases da minha vida, pois, cheia de esperança, eu estava me casando com o homem da minha vida e trabalhando no emprego que eu amava. Quatro anos depois, me decepcionei com o emprego e, mesmo ainda amando a empresa, a maioria das pessoas e o trabalho, tive que botar os pés no chão e ver que eu não só não tinha futuro ali, como não tinha presente. Só pensava em trabalho. Até nos finais de semana (muitas vezes trabalhando), eu não tinha outro assunto: era trabalho, trabalho, trabalho. Também, quem manda trabalhar na TV Globo! Além de você ficar exausta de ralar feito condenada para promover a boa imagem dos atores que ganham rios de dinheiro a mais que você, nos raros intervalos em que você está fora daquele mundinho de egos você ainda tem que encarar o batalhão de perguntas dos amigos sobre quem? Sobre os atores endinheirados, claro! Ninguém merece! Mas, deixando as brincadeiras de lado, sofri bastante ao tomar a decisão de deixar de lado um emprego que eu amava, para me dedicar a outros projetos. Nossa! Agora falei igualzinho às atrizes desempregadas quando são perguntadas sobre seus próximos trabalhos. Mas o que interessa é que aí eu passei por uma crise sim. Sofri. Mas foi um sofrimento voluntário e pensado. Sabia o tempo todo que era uma dor necessária, precisava encará-la para realinhar e melhorar minha vida.
Da mesma forma no casamento. A vida de quatro anos de casada, depois de sete de namoro, não é a mesma de quem está em lua de mel. Chega um momento que você se questiona se quer aturar aquilo tudo, se vale a pena continuar abrindo mão de tanta coisa... Afinal, conviver é difícil pra caramba e só dá certo se as pessoas souberem ceder muito e negociar, o tempo todo. Mas é aí que vem a melhor parte. Quando você tem uma crise dessas e se questiona, tanto sobre o casamento, como sobre o trabalho, você chega a uma conclusão: se eu decidi assim, então tenho que enfiar o pé no acelerador e ir com tudo, tenho que dar valor ao que tenho, investir nisso e aproveitar ao máximo a experiência. E é aí que você passa por uma segunda lua de mel, seja ela no casamento, seja no mesmo trabalho, num novo, seja ela uma lua de mel com você mesma, quando olha para trás e pensa: “caramba, quanta coisa aprendi, quantas ferramentas eu tenho para melhorar a minha vida.”
Por isso é que digo à Bruna e às outras recém-trintonas que quiserem ouvir. O grande "X" da questão é que antes dos trinta você vai vivendo a vida se deixando levar pela maré, meio sem pensar. Sem direcionar suas energias e dar o devido valor ao que você tem. Então chega um momento em que você se dá conta de que tem menos tempo fértil para poder gerar um filho, menos condições físicas para abusar dos decotes, minissaias, blusas sem sutiã, menos tempo para ser aceita numa profissão nova, afinal, assim como as rugas e a gravidade, o mercado de trabalho é cruel! Enfim, tudo isso faz você reavaliar como você está usando o seu tempo hoje. E te faz repriorizar todos os minutos de sua vida. Para fechar, lembro apenas de um livro que li, quando ainda era neurótica por regimes: “Mulheres francesas não engordam”, de Mireille Guiliano. Não o relembro porque ele me ensinou a emagrecer. Na verdade, nem li o livro todo, confesso. Mesmo assim, ele me ensinou uma coisa muito importante, ao dizer que as mulheres francesas não engordam porque priorizam a qualidade dos alimentos. Elas fazem uso de receitas e ingredientes especiais, comem um pouco de tudo, e, principalmente, saboreiam cada centímetro do alimento que estiverem degustando. Eu fiz o teste. E não é que quando você come com prazer e presta atenção no que está mastigando, acaba se saciando com muito menos? Pois é exatamente isso que eu venho fazendo com minha vida. E é exatamente isso que desejo a todas vocês. Até logo e bon appétit!
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quarta-feira, 1 de outubro de 2008
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Perguntas sem resposta - sobre comunicação online (crônica)
Ela fica esperando resposta. Sempre. Manda e-mails e olha compulsivamente pra caixa de entrada pra ver se alguém respondeu. E quando tecla no msn, fica parada e inativa, esperando o interlocutor teclar de volta. Isso quando ela não manda outra mensagem, ou uma simples interrogação, para reafirmar a pergunta que tinha acabado de despejar na janelinha piscante! Como se a pessoa do outro lado não fosse respondê-la. Ela não entende como a pessoa pode ficar online, sem estar disponível. Ainda não se acostumou com essa estranha noção de tempo que permeia as comunicações virtuais, seja via e-mail, msn, orkut ou comentários de posts.
Por exemplo: qual o tempo sensato para se responder um e-mail, de forma a não correr o risco de parecer que você não deu importância à pergunta do amigo? Como é que se explica que às vezes você quer distância do computador? Que é necessário ficar pelo menos uns três dias sem acessar nada? Por que você é obrigado a explicar que viajou, ou que estava com problemas no computador, ou que estava em um local sem internet, toda vez que responde com um atraso de mais de dois dias? Ela não entende essa obrigação implícita no inconsciente coletivo atual dos conectados. Essa mania de ficar online até nos finais de semana, disponível para mensagens e ligações de celulares de trabalho inclusive, ou para receber avisos e convites que poderiam muito bem chegar com um breve telefonema.
E quando ela relata novos fatos ou avança no papo, enviando mais de um e-mail para mesma pessoa? Como no caso daquelas mensagens coletivas em que se conversa, cada um respondendo se vai ou não no churrasco ou no reencontro, festa, reunião de trabalho. Quando um dos interlocutores resolve ligar para ela pra perguntar justamente sobre algum detalhe daquilo que ela explicou no último e-mail, ela fica perdidinha. E pergunta: você leu até que mensagem minha: a primeira, a segunda ou a já chegou na terceira? Porque, veja bem: se a obrigaram a se render ao esquema internético, ela não quer desperdiçar o tempo que lhe sobra offline reexplicando aquilo que já demorou tanto tempo para teclar via online, ora bolas!
E aquele amigo dela que só fica no status offline, mas nunca deixa de papear com ela via msn? Alooou! Pra quê existe um status offline? Se a pessoa tá off não deveria estar sequer logada, isso não é óbvio? Ela também não compreende porque as pessoas gastam tanta energia, deixando seus computadores ligados 24 horas, online 24 horas nos espaços comunicativos da web, se, na verdade, não estão o dia todo em frente à telinha. Quando a vida real lhe chama, ela desliga o computador. Ela odeia aquele barulho que o estabilizador faz quando está ligado.
Ela prefere o telefone, o chat (em português é papo) ao vivo. Mas já se rendeu, ao perceber que só conseguiria marcar estes encontros por meio do computador. E, agora, toda vez que liga pra alguém, acha que está entrando na privacidade da pessoa. Se telefona para a casa do sujeito então, para o aparelho fixo, já começa a ligação pedindo desculpas.
Perdão, gente, mas acho que tenho que pedir desculpas agora por fazer vocês ficarem tanto tempo em frente a telinha, lendo minhas reclamações. Para quem ainda não sacou, esse "ela" sou eu mesma. Desliga o computador, vai! E se quiser conversar comigo, por favor, me liga que eu tô offline.
Por exemplo: qual o tempo sensato para se responder um e-mail, de forma a não correr o risco de parecer que você não deu importância à pergunta do amigo? Como é que se explica que às vezes você quer distância do computador? Que é necessário ficar pelo menos uns três dias sem acessar nada? Por que você é obrigado a explicar que viajou, ou que estava com problemas no computador, ou que estava em um local sem internet, toda vez que responde com um atraso de mais de dois dias? Ela não entende essa obrigação implícita no inconsciente coletivo atual dos conectados. Essa mania de ficar online até nos finais de semana, disponível para mensagens e ligações de celulares de trabalho inclusive, ou para receber avisos e convites que poderiam muito bem chegar com um breve telefonema.
E quando ela relata novos fatos ou avança no papo, enviando mais de um e-mail para mesma pessoa? Como no caso daquelas mensagens coletivas em que se conversa, cada um respondendo se vai ou não no churrasco ou no reencontro, festa, reunião de trabalho. Quando um dos interlocutores resolve ligar para ela pra perguntar justamente sobre algum detalhe daquilo que ela explicou no último e-mail, ela fica perdidinha. E pergunta: você leu até que mensagem minha: a primeira, a segunda ou a já chegou na terceira? Porque, veja bem: se a obrigaram a se render ao esquema internético, ela não quer desperdiçar o tempo que lhe sobra offline reexplicando aquilo que já demorou tanto tempo para teclar via online, ora bolas!
E aquele amigo dela que só fica no status offline, mas nunca deixa de papear com ela via msn? Alooou! Pra quê existe um status offline? Se a pessoa tá off não deveria estar sequer logada, isso não é óbvio? Ela também não compreende porque as pessoas gastam tanta energia, deixando seus computadores ligados 24 horas, online 24 horas nos espaços comunicativos da web, se, na verdade, não estão o dia todo em frente à telinha. Quando a vida real lhe chama, ela desliga o computador. Ela odeia aquele barulho que o estabilizador faz quando está ligado.
Ela prefere o telefone, o chat (em português é papo) ao vivo. Mas já se rendeu, ao perceber que só conseguiria marcar estes encontros por meio do computador. E, agora, toda vez que liga pra alguém, acha que está entrando na privacidade da pessoa. Se telefona para a casa do sujeito então, para o aparelho fixo, já começa a ligação pedindo desculpas.
Perdão, gente, mas acho que tenho que pedir desculpas agora por fazer vocês ficarem tanto tempo em frente a telinha, lendo minhas reclamações. Para quem ainda não sacou, esse "ela" sou eu mesma. Desliga o computador, vai! E se quiser conversar comigo, por favor, me liga que eu tô offline.
sábado, 16 de agosto de 2008
Você já chateou hoje? (artigo/crônica)
Vivemos no mundo dos chatos. Daqueles que extrapolam os limites da chatice “falando” no chat. Sim, porque as palavras, ou teclas abreviatórias despejadas no branco da janelinha insistentemente piscante, só demonstram quanto tempo as pessoas têm perdido com coisas inúteis. E se você pensou que me refiro a jovens monossilábicos, aculturados, trocando grunhidos, esqueça. Eles, sim, são felizes. Cultivam suas amizades e enchem suas rotinas de alegria, zoação, brincadeira...
Meu papo é com os executivos, editores, gerentes, chefes e afins que perdem seu tempo se estressando com cobranças absurdas, piscando de cinco em cinco minutos na tela de seus amados subalternos. Sendo que, em se tratando de chat, os minutos duram uma eternidade, que fique claro! Por isso, as perguntas vem de segundos em segundos, para dizer a verdade. O pobre coitado do trabalhador, ao ver as mil perguntas do “superior” pipocando na tela, não tem nem tempo para pensar na resposta que vai dar para as tais cobranças. Quanto mais para realizar as tarefas que lhe foram encomendadas!
Os subalternos, por sua vez, também só desperdiçam teclas e preciosos segundos com os tais chats. Infelizes com sua pobreza, investem na pobreza de espírito e perdem seu tempo falando mal do colega de trabalho, que é tão ferrado como ele, só para despejar sua raiva e se sentir vingado. Com medo de ser passado pra trás. Será que ele não vê que o tempo em que está digitando inutilidades, ridicularizando ou odiando alguém, esse alguém, o “concorrente”, pode estar saindo na frente, realizando um trabalho melhor que o dele? E é aí é que mora o perigo...
Agora, acabo de descobrir que também se fazem entrevistas de emprego pelo chat. “Que idéia genial!”, pensei, ao ser convidada para um processo de seleção online e a-jato. Caiu como uma luva. Eu saí do trabalho dizendo que ia almoçar e fui teclar com o empregador no escritório de uma amiga, ali pertinho. Mas ao chegar lá, mudei de idéia completamente.
Em primeiro lugar, por mais que tente, não consigo me acostumar com essa mania de conversar e botar as fofocas em dia por e-mail, orkut ou chat. Trabalho produzindo conteúdo para web, desde os primórdios da internet, mas sinto falta da privacidade do encontro, do calor da voz e das expressões faciais do interlocutor, do seu movimento corporal. As palavras nem sempre são os melhores indícios de que a pessoa que as digita está sendo sensata, verdadeira, correta. Preciso analisar o conjunto para saber onde estou pisando. E não ser pisada.
Pois só não digo que me senti pisada nesta entrevista chateada e infeliz por um motivo: me orgulho cada vez mais de ainda não ter pirado diante da convivência com tanta gente estressada, apressada, de mal com a vida. É, porque só mesmo um louco iria querer testar meus conhecimentos em inglês me mandando traduzir pequenas frases, divididas em três pedaços cada. Quando hesitei para traduzir uma parte dessa loucura e perguntei o que era a tal montagem a que ele se referia naquele fragmento, ele não gostou e já foi mandando um “óbvio que é um show!” Como assim, óbvio???!! A entrevista era para uma revista ferroviária!!! E os pedaços de texto anteriores passavam longe da idéia de show. Mas vamos lá: tentei contornar e não deu. Fiquei nervosa e, como o inglês não é minha língua, não consegui concatenar os pensamentos com a tradução depois disso. “Ok, bye”, disse o cara. E eu só não mandei ele “kiss my ass”, “mother fucker”, “big asshole”, porque queria me despedir de cabeça erguida. Foi então que eu disse: “Para escrever em inglês não se pode traduzir o português literalmente, por partes, já que eles dizem muito mais com muito menos palavras”, e enfim, mandei um “obrigada pela oportunidade”.
De noite, a caminho da faculdade, um ônibus grudou na minha traseira e piscou reclamando por eu ter deixado um carro entrar na fila a minha frente. Depois, tornou a piscar porque na minha frente tinha outro cara lerdo. Eu estava na pista da direita, tá? E os malandrinhos acelerando pelo acostamento... Meu deus do céu! Quando é que o mundo ficou tão louco? Quando é que o tempo diminuiu tanto a ponto de acelerar a pressa e fazer as pessoas se acharem no direito de passar na frente, de reclamar de uma gentileza, de buzinar para alguém que anda sem avançar o cruzamento? Só hoje, já li o jornal, arrumei a casa, saí da Barra para trabalhar no Centro, assisti aula na faculdade, joguei futebol e passei a noite redigindo esse desabafo. E não agredi ninguém porque estava com pressa para chegar até o fim do dia! Será que eu sou um ET?
Meu papo é com os executivos, editores, gerentes, chefes e afins que perdem seu tempo se estressando com cobranças absurdas, piscando de cinco em cinco minutos na tela de seus amados subalternos. Sendo que, em se tratando de chat, os minutos duram uma eternidade, que fique claro! Por isso, as perguntas vem de segundos em segundos, para dizer a verdade. O pobre coitado do trabalhador, ao ver as mil perguntas do “superior” pipocando na tela, não tem nem tempo para pensar na resposta que vai dar para as tais cobranças. Quanto mais para realizar as tarefas que lhe foram encomendadas!
Os subalternos, por sua vez, também só desperdiçam teclas e preciosos segundos com os tais chats. Infelizes com sua pobreza, investem na pobreza de espírito e perdem seu tempo falando mal do colega de trabalho, que é tão ferrado como ele, só para despejar sua raiva e se sentir vingado. Com medo de ser passado pra trás. Será que ele não vê que o tempo em que está digitando inutilidades, ridicularizando ou odiando alguém, esse alguém, o “concorrente”, pode estar saindo na frente, realizando um trabalho melhor que o dele? E é aí é que mora o perigo...
Agora, acabo de descobrir que também se fazem entrevistas de emprego pelo chat. “Que idéia genial!”, pensei, ao ser convidada para um processo de seleção online e a-jato. Caiu como uma luva. Eu saí do trabalho dizendo que ia almoçar e fui teclar com o empregador no escritório de uma amiga, ali pertinho. Mas ao chegar lá, mudei de idéia completamente.
Em primeiro lugar, por mais que tente, não consigo me acostumar com essa mania de conversar e botar as fofocas em dia por e-mail, orkut ou chat. Trabalho produzindo conteúdo para web, desde os primórdios da internet, mas sinto falta da privacidade do encontro, do calor da voz e das expressões faciais do interlocutor, do seu movimento corporal. As palavras nem sempre são os melhores indícios de que a pessoa que as digita está sendo sensata, verdadeira, correta. Preciso analisar o conjunto para saber onde estou pisando. E não ser pisada.
Pois só não digo que me senti pisada nesta entrevista chateada e infeliz por um motivo: me orgulho cada vez mais de ainda não ter pirado diante da convivência com tanta gente estressada, apressada, de mal com a vida. É, porque só mesmo um louco iria querer testar meus conhecimentos em inglês me mandando traduzir pequenas frases, divididas em três pedaços cada. Quando hesitei para traduzir uma parte dessa loucura e perguntei o que era a tal montagem a que ele se referia naquele fragmento, ele não gostou e já foi mandando um “óbvio que é um show!” Como assim, óbvio???!! A entrevista era para uma revista ferroviária!!! E os pedaços de texto anteriores passavam longe da idéia de show. Mas vamos lá: tentei contornar e não deu. Fiquei nervosa e, como o inglês não é minha língua, não consegui concatenar os pensamentos com a tradução depois disso. “Ok, bye”, disse o cara. E eu só não mandei ele “kiss my ass”, “mother fucker”, “big asshole”, porque queria me despedir de cabeça erguida. Foi então que eu disse: “Para escrever em inglês não se pode traduzir o português literalmente, por partes, já que eles dizem muito mais com muito menos palavras”, e enfim, mandei um “obrigada pela oportunidade”.
De noite, a caminho da faculdade, um ônibus grudou na minha traseira e piscou reclamando por eu ter deixado um carro entrar na fila a minha frente. Depois, tornou a piscar porque na minha frente tinha outro cara lerdo. Eu estava na pista da direita, tá? E os malandrinhos acelerando pelo acostamento... Meu deus do céu! Quando é que o mundo ficou tão louco? Quando é que o tempo diminuiu tanto a ponto de acelerar a pressa e fazer as pessoas se acharem no direito de passar na frente, de reclamar de uma gentileza, de buzinar para alguém que anda sem avançar o cruzamento? Só hoje, já li o jornal, arrumei a casa, saí da Barra para trabalhar no Centro, assisti aula na faculdade, joguei futebol e passei a noite redigindo esse desabafo. E não agredi ninguém porque estava com pressa para chegar até o fim do dia! Será que eu sou um ET?
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Geração MSN (artigo)
Sabe aquele papo típico de bar? Quando se discutem assuntos polêmicos como política, futebol e religião? Quando, depois de muitos chopes, os desconhecidos começam a trocar confidências e a filosofar sobre o sentido da vida? Temo que isso em breve não vá mais existir. A não ser que o bar se mude para dentro de casa, ao lado do computador, ou para dentro de uma lan-house. Sim, porque cada vez mais as pessoas não têm o que falar quando se encontram com os amigos. Elas já esgotaram todas as fofocas pelo e-mail, msn, orkut e os malditos comentários de blogs e afins!Como já falei demais do correio eletrônico, site de relacionamento e chat em textos anteriores, dedico-me agora aos tais comentários.
Imagino que para a diretoria de um jornal e para um autor de matéria ou artigo deve ser ótimo saber como o próprio texto foi recebido pelos leitores. Eu, que sou autora “famosa” apenas entre meus amigos, só recentemente descobri como é bom "ouvir" os amigos sumidos, mesmo que isso ocorra nos frios espaços da web. Não nego a qualidade dos tais comentários para quem quer testar a audiência e coisas do gênero. E até aplaudo o lado libertário e democrático da coisa: de dar voz ao povo. O que não entendo é como as pessoas perdem tanto tempo e, principalmente, têm coragem de falar de coisas tão íntimas para esse mundo de gente que acessa a internet.
Sempre fui muito expansiva. Uma das primeiras características que as pessoas costumam associar à minha pessoa é exatamente a completa falta de timidez e, porque não dizer, uma ligeira cara-de-pau. Mas aqui confesso: morro de pudores de sair tascando comentários fragmentados sobre as notícias e os textos alheios, em páginas da internet, que milhares de desconhecidos vão acessar. Falo tudo, falo até demais, mas com aqueles que me conhecem ou que, pelo menos, estão vendo a minha cara durante meu pronunciamento. E me respondem na hora, senão com palavras, mas com olhares que dizem tudo. Também exponho minha opinião quando escrevo, seja artigo, crônica, conto ou poema. Mas esses comentários são estranhíssimos. Já ensaiei escrever um ou outro mas me arrependi. Algumas vezes, cheguei a ficar dez minutos digitando minha opinião, para na hora H apagar tudo e desistir de apertar o botão de enviar.
Parece que as pessoas aplacam suas carências de ser ouvidas, digitando seus comentários. Imagino até o que deve acontecer em alguns lares. A mulher chega vinda do trabalho e aborda o marido. Digamos que ela queira lhe contar suas teorias sobre o assassinato da Isabela Nardoni (só se falava nisso no dia que escrevi esse texto). Então o esposo responde que está ocupado, diante do computador. E não é que ele está justamente comentando esse assunto, na internet, com um bando de desconhecidos? Ele fala com o resto do mundo, mas não tem tempo para conversar com a mulher. Frustrada por não ter sido ouvida, é capaz de a moça tomar o lugar do companheiro quando ele for dormir e digitar seu comentário no final da mesma matéria jornalística sobre a qual o marido opinou. E os dois vão dormir felizes, afinal muita gente lerá suas opiniões. Eles estão quase famosos!
Que mundo é esse em que se dialoga mais com quem não faz parte das nossas vidas do que com nossos próprios filhos, maridos, esposas e amigos do peito? Quer dizer: será que daqui a quarenta anos os adolescentes teclantes de hoje ainda terão amigos do peito, ou só amigos do orkut e msn?
Como você vê o futuro da geração MSN? Eu não faço comentários em texto alheio, mas, por favor, não se esqueça: os seus comentários são muito bem vindos!
Imagino que para a diretoria de um jornal e para um autor de matéria ou artigo deve ser ótimo saber como o próprio texto foi recebido pelos leitores. Eu, que sou autora “famosa” apenas entre meus amigos, só recentemente descobri como é bom "ouvir" os amigos sumidos, mesmo que isso ocorra nos frios espaços da web. Não nego a qualidade dos tais comentários para quem quer testar a audiência e coisas do gênero. E até aplaudo o lado libertário e democrático da coisa: de dar voz ao povo. O que não entendo é como as pessoas perdem tanto tempo e, principalmente, têm coragem de falar de coisas tão íntimas para esse mundo de gente que acessa a internet.
Sempre fui muito expansiva. Uma das primeiras características que as pessoas costumam associar à minha pessoa é exatamente a completa falta de timidez e, porque não dizer, uma ligeira cara-de-pau. Mas aqui confesso: morro de pudores de sair tascando comentários fragmentados sobre as notícias e os textos alheios, em páginas da internet, que milhares de desconhecidos vão acessar. Falo tudo, falo até demais, mas com aqueles que me conhecem ou que, pelo menos, estão vendo a minha cara durante meu pronunciamento. E me respondem na hora, senão com palavras, mas com olhares que dizem tudo. Também exponho minha opinião quando escrevo, seja artigo, crônica, conto ou poema. Mas esses comentários são estranhíssimos. Já ensaiei escrever um ou outro mas me arrependi. Algumas vezes, cheguei a ficar dez minutos digitando minha opinião, para na hora H apagar tudo e desistir de apertar o botão de enviar.
Parece que as pessoas aplacam suas carências de ser ouvidas, digitando seus comentários. Imagino até o que deve acontecer em alguns lares. A mulher chega vinda do trabalho e aborda o marido. Digamos que ela queira lhe contar suas teorias sobre o assassinato da Isabela Nardoni (só se falava nisso no dia que escrevi esse texto). Então o esposo responde que está ocupado, diante do computador. E não é que ele está justamente comentando esse assunto, na internet, com um bando de desconhecidos? Ele fala com o resto do mundo, mas não tem tempo para conversar com a mulher. Frustrada por não ter sido ouvida, é capaz de a moça tomar o lugar do companheiro quando ele for dormir e digitar seu comentário no final da mesma matéria jornalística sobre a qual o marido opinou. E os dois vão dormir felizes, afinal muita gente lerá suas opiniões. Eles estão quase famosos!
Que mundo é esse em que se dialoga mais com quem não faz parte das nossas vidas do que com nossos próprios filhos, maridos, esposas e amigos do peito? Quer dizer: será que daqui a quarenta anos os adolescentes teclantes de hoje ainda terão amigos do peito, ou só amigos do orkut e msn?
Como você vê o futuro da geração MSN? Eu não faço comentários em texto alheio, mas, por favor, não se esqueça: os seus comentários são muito bem vindos!
terça-feira, 22 de julho de 2008
Amizades virtuais (artigo)
Ainda não me acostumei com esse lance de internet, e-mail, msn e orkut. Já trabalhei escrevendo para web, confesso, mas me refiro principalmente à manutenção das amizades via online. Adoro ouvir notícias daqueles que amo, mesmo que seja pela web, mas me irrita tão profundamente não ouvir a voz deles...
Hoje em dia, nos espaços abertos dos orkuts e msns da vida, todo mundo está cheio de "amigo", mas no fundo, no fundo, são tão poucos os amigos! É só fazer uma pesquisa: quantos desses amigos virtuais trocam telefones? Quais desses já se falaram pelos telefones fixos? Não sei porque cargas dágua, agora está instituído que só se deve telefonar para o aparelho móvel das pessoas. Ligar então para o velho e tradicional telefone de casa ficou relegado a emergências. Só quem liga para meu número fixo são os parentes de mais de 40 anos e as operadoras de cartão de crédito. E esses chatos do telemarketing, é claro.
Meu celular, por exemplo, não pega em casa de jeito nenhum. Por conta disso, já fui obrigada a ouvir um bando de amigos me dando bronca, porque não me acharam. E depois, ainda me vêm com a cara de pau de dizer que não decoraram ou não anotaram meu novo telefone (que já é meu há três anos!). E o meu marido, que por vezes não consegue falar com aqueles amigos do peito, porque não tem anotado os telefones de casa dos caras? Como assim???
É engraçado, porque eu mesma sou a primeira a "falar" com um bando de gente por e-mail e orkut. Gente da qual sinto falta. Pessoas com quem já trabalhei ou estudei. Primos que moram longe. Primos que moram perto, mas que a vida afastou. Amigos das antigas. Alguns até trabalham num escritório ao lado, mas, sabe como é, né, não podermos falar pelo telefone, afinal nossos chefes estão de ouvidos atentos, doidos para nos dar broncas. E a gente acaba marcando aquele almoço por e-mail ou msn mesmo.. Que saco! Onde foi parar o tempo e também a predisposição alheia de pegar um telefone para falar e se fazer ouvir, por um minuto que seja?
Nesse ponto, tenho uma inveja danada da minha mãe. Não só porque ela é aposentada e tem todo o tempo do mundo para aplicar no contato com os amigos, mas principalmente porque a geração dela não tem essa mania de se falar pela web. Ela nem sabe mexer no computador, sequer sabe o que está "perdendo".
Minha amiga, a mais online de todas, estudou comigo no colégio e nós voltávamos todos os dias de lá tendo altos papos no ônibus. Além disso, íamos uma à casa da outra, viajávamos juntas... Ou seja, eram horas e horas de vozes sendo ouvidas. Pois bem, foi ela que me convidou pra entrar no orkut, quando a maioria das pessoas nem sabia o que vinha ser esse lance internético com nome de lactobacilos vivos. Eu demorei à beça para finalmente me deixar seduzir e entrar na "comunidade". Só me loguei depois que ouvi dezenas de amigos comentando: "não te achei no orkut"...
Quando aderi à onda, tive problemas com o computador de casa e não tinha acesso pela máquina do trabalho, por isso, ficava um mês sem acessar. Quando conseguia adentrar no tal site, eis que me via perdendo diversas oportunidades de rever os amigos. Poxa, até festas importantes, tipo aniversários ou reencontro de uma galera que não se vê há séculos... Até isso perdi porque não entrava no orkut! Como assim?? Pra uma pessoa como eu, que adora reencontros, festas e movimento em geral, esse tal de orkut deveria ser um achado...
Porém, mesmo inevitavelmente usuária, continuo dizendo: não gosto dessa comunicação que, como o próprio nome diz, é virtual. E quando comecei a escrever esse texto, dizendo ter inveja da minha mãe, me dei conta de como pode ser terrível a aposentadoria da minha e das outras gerações que se seguirão depois dela. Ao invés de usarem o tempo livre para curtirem os netinhos e reverem os amigos que também estão de bobeira, os "velhinhos" estarão todos com preguiça de sair de casa, por conta de dores no pescoço e na coluna, dores acumuladas de tanto tempo usando o computador. E, como já será tarde para reverter o quadro, eles continuarão a fazer aquilo que sempre fizeram: ficarão horas e horas no computador, "falando" com os amigos virtualmente. Se bobear, até para matar as saudades dos netos eles precisarão dos msns da vida. Imagina só que lindo será o diálogo onomatopéico dos idosos com crianças de 3, 4 anos, que provavelmente já saberão "escrever" no computador?
Que me perdoem os abstêmios, mas onde vão parar os minutos de prazer que só costumam sair das bocas reprimidas dos amigos depois de alguns muitos goles de chope? Onde vai parar o tradicional chope com os amigos? Assim os bares vão falir, meu Deus! "Denise está chamando", o filme, já previa até que os namorados não iriam se ver, e sim transar pelo telefone e internet. Os amigos se esconderiam por detrás dos celulares e computadores. Mas e o chope: onde vai parar o chope?
Como não tomo chope, só vinho e caipirinha, já me decidi. Se quando eu me aposentar, o povo ainda estiver nessa de contato virtual, vou trocar os amigos pelo meu vinho e mandar todo mundo praquele lugar. Me recuso a conversar com várias pessoas ao mesmo tempo pelo MSN e esperar as frias respostas dos amigos chegarem via e-mail ou scraps. É melhor ficar bêbada, sozinha e feliz do que ficar catatônica, com dores nos dedos de tanto teclar, em frente a um computador, contando o número de amigos e scraps do orkut.
Hoje em dia, nos espaços abertos dos orkuts e msns da vida, todo mundo está cheio de "amigo", mas no fundo, no fundo, são tão poucos os amigos! É só fazer uma pesquisa: quantos desses amigos virtuais trocam telefones? Quais desses já se falaram pelos telefones fixos? Não sei porque cargas dágua, agora está instituído que só se deve telefonar para o aparelho móvel das pessoas. Ligar então para o velho e tradicional telefone de casa ficou relegado a emergências. Só quem liga para meu número fixo são os parentes de mais de 40 anos e as operadoras de cartão de crédito. E esses chatos do telemarketing, é claro.
Meu celular, por exemplo, não pega em casa de jeito nenhum. Por conta disso, já fui obrigada a ouvir um bando de amigos me dando bronca, porque não me acharam. E depois, ainda me vêm com a cara de pau de dizer que não decoraram ou não anotaram meu novo telefone (que já é meu há três anos!). E o meu marido, que por vezes não consegue falar com aqueles amigos do peito, porque não tem anotado os telefones de casa dos caras? Como assim???
É engraçado, porque eu mesma sou a primeira a "falar" com um bando de gente por e-mail e orkut. Gente da qual sinto falta. Pessoas com quem já trabalhei ou estudei. Primos que moram longe. Primos que moram perto, mas que a vida afastou. Amigos das antigas. Alguns até trabalham num escritório ao lado, mas, sabe como é, né, não podermos falar pelo telefone, afinal nossos chefes estão de ouvidos atentos, doidos para nos dar broncas. E a gente acaba marcando aquele almoço por e-mail ou msn mesmo.. Que saco! Onde foi parar o tempo e também a predisposição alheia de pegar um telefone para falar e se fazer ouvir, por um minuto que seja?
Nesse ponto, tenho uma inveja danada da minha mãe. Não só porque ela é aposentada e tem todo o tempo do mundo para aplicar no contato com os amigos, mas principalmente porque a geração dela não tem essa mania de se falar pela web. Ela nem sabe mexer no computador, sequer sabe o que está "perdendo".
Minha amiga, a mais online de todas, estudou comigo no colégio e nós voltávamos todos os dias de lá tendo altos papos no ônibus. Além disso, íamos uma à casa da outra, viajávamos juntas... Ou seja, eram horas e horas de vozes sendo ouvidas. Pois bem, foi ela que me convidou pra entrar no orkut, quando a maioria das pessoas nem sabia o que vinha ser esse lance internético com nome de lactobacilos vivos. Eu demorei à beça para finalmente me deixar seduzir e entrar na "comunidade". Só me loguei depois que ouvi dezenas de amigos comentando: "não te achei no orkut"...
Quando aderi à onda, tive problemas com o computador de casa e não tinha acesso pela máquina do trabalho, por isso, ficava um mês sem acessar. Quando conseguia adentrar no tal site, eis que me via perdendo diversas oportunidades de rever os amigos. Poxa, até festas importantes, tipo aniversários ou reencontro de uma galera que não se vê há séculos... Até isso perdi porque não entrava no orkut! Como assim?? Pra uma pessoa como eu, que adora reencontros, festas e movimento em geral, esse tal de orkut deveria ser um achado...
Porém, mesmo inevitavelmente usuária, continuo dizendo: não gosto dessa comunicação que, como o próprio nome diz, é virtual. E quando comecei a escrever esse texto, dizendo ter inveja da minha mãe, me dei conta de como pode ser terrível a aposentadoria da minha e das outras gerações que se seguirão depois dela. Ao invés de usarem o tempo livre para curtirem os netinhos e reverem os amigos que também estão de bobeira, os "velhinhos" estarão todos com preguiça de sair de casa, por conta de dores no pescoço e na coluna, dores acumuladas de tanto tempo usando o computador. E, como já será tarde para reverter o quadro, eles continuarão a fazer aquilo que sempre fizeram: ficarão horas e horas no computador, "falando" com os amigos virtualmente. Se bobear, até para matar as saudades dos netos eles precisarão dos msns da vida. Imagina só que lindo será o diálogo onomatopéico dos idosos com crianças de 3, 4 anos, que provavelmente já saberão "escrever" no computador?
Que me perdoem os abstêmios, mas onde vão parar os minutos de prazer que só costumam sair das bocas reprimidas dos amigos depois de alguns muitos goles de chope? Onde vai parar o tradicional chope com os amigos? Assim os bares vão falir, meu Deus! "Denise está chamando", o filme, já previa até que os namorados não iriam se ver, e sim transar pelo telefone e internet. Os amigos se esconderiam por detrás dos celulares e computadores. Mas e o chope: onde vai parar o chope?
Como não tomo chope, só vinho e caipirinha, já me decidi. Se quando eu me aposentar, o povo ainda estiver nessa de contato virtual, vou trocar os amigos pelo meu vinho e mandar todo mundo praquele lugar. Me recuso a conversar com várias pessoas ao mesmo tempo pelo MSN e esperar as frias respostas dos amigos chegarem via e-mail ou scraps. É melhor ficar bêbada, sozinha e feliz do que ficar catatônica, com dores nos dedos de tanto teclar, em frente a um computador, contando o número de amigos e scraps do orkut.
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