Lembro-me dos domingos na praia. Picolé gelado, biscoito Globo, matte Leão de garrafão. Lembro-me de tardes inteiras naquele bar da Avenida Atlântica. Nosso amigo garçom sempre com um sorriso no rosto. Qual era mesmo o nome dele? Lembro-me de suas sardas, da cara de ruivo. Lembro-me de sua gentileza, mas o nome...
Enquanto nossos pais entornavam o chope, nós brincávamos subindo em árvores. Em uma árvore, para ser mais específica. E assim, aquele pequeno pedaço de esquina parecia do tamanho do mundo. Tamanha era a gama de brincadeiras diferentes que inventávamos para nos entreter.
Lembro-me também que quando não tinha praia, a gente saía para almoçar fora. Programa sagrado. E a minha escolha era sempre a mesma. Depois de me esbaldar no couvert do La Mole, ainda encarava um filet à parmegiana com batata frita inteirinho. E eu comia tudo. Ao contrário de hoje.
Hoje não como mais batata frita porque me dói o estômago. Não encaro um prato inteiro de restaurante também por causa do estômago. E por causa das calorias, diga-se de passagem. Couvert seguido de um prato inteiro? Nem pensar! Hoje também não brinco na esquina, porque não sou mais criança. Mas se eu quisesse, também não poderia, porque onde moro não tem esquinas. Só retornos pra carros.
Não vou mais à praia, porque acordo tarde. E porque meu marido não admite não almoçar cedo. O legal de ir à praia aos domingos era exatamente a não obrigatoriedade de se almoçar. E a obrigatoriedade de beliscar coisinhas gostosas. Batata-frita, pizza, mignon com cebola. Hummm... O nosso amigo garçom já até sabia o que queríamos. Qual era mesmo o nome dele?
O mais legal de tudo era que não programávamos nada. Deixávamos a vida nos levar. E, no caso dos nosso pais, era o chope quem os levava mesmo. Só tinha uma coisa certa: todo sábado e domingo estaríamos lá. Depois? Não interessa! O bom era o durante.
Ah! Lembrei! O nome do garçom era felicidade. E meu nome é saudade. Muita saudade...
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segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Dias de sol (crônica ou prosa poética?)
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sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Domingo (artigo)
Hoje eu quero emburrecer. Não quero filme cabeça, não quero ler jornal. Quero no máximo rir com um best-seller, passar o tempo com uma HQ infantil. Aliás, um filme adolescente, daqueles idiotas que passam na Disney Channel, cai muito bem, obrigada. Comédia romântica daquelas que a gente já sabe o final, melhor ainda. Revista com assunto de mulherzinha, seriados americanos que desvendam assassinatos... Amo muito tudo isso em dias como hoje.
O que também não pode faltar é uma comida trash. Uma Pringles Páprica com H20, uma barra de chocolate, pão de queijo, pizza... Não preciso ser delicada e correta com meu estômago, só por hoje. Pensar nas calorias e nos pneuzinhos? Hoje não, pelo amor de Deus! Quero ficar descabelada, de camisola e, debaixo das cobertas, pegar o telefone e fofocar com as amigas. Falar mal da chefe, do governo, da sogra, do marido, do vizinho. Vou perder meus preciosos minutos de lazer tramando pequenas vinganças destinadas a cada ser humano que já me fez mal um dia. Quero meter o pau em todo mundo!
Sei que amanhã vou olhar pra trás, desistir de meus planos maquiavélicos e brigar comigo mesma, dizendo: “vingança não leva a nada, só traz energia ruim e nos iguala ao ser que nos fez mal. Perdoar sim é divino”. Também sei que vou concluir que perdi uma ótima oportunidade de ler um livro bom, ver um filme interessante, ler uma revista edificante, assistir a uma peça, ir a uma exposição. E tenho certeza de que vou sentir uma baita dor de estômago! “Por que comi tanta besteira ontem, meu Deus do céu?”
Quer saber? Não vou mais me sentir culpada. Afinal, se eu não conhecesse os males da comida trash, como saberia dar valor à alimentação natural? Se eu assistisse filmes cabeças todos os dias, não acabaria perdendo o encantamento pela genialidade deles? Se eu passeasse na rua todo fim de semana, como me surpreenderia com o movimento lá fora num dia de domingo?
O que também não pode faltar é uma comida trash. Uma Pringles Páprica com H20, uma barra de chocolate, pão de queijo, pizza... Não preciso ser delicada e correta com meu estômago, só por hoje. Pensar nas calorias e nos pneuzinhos? Hoje não, pelo amor de Deus! Quero ficar descabelada, de camisola e, debaixo das cobertas, pegar o telefone e fofocar com as amigas. Falar mal da chefe, do governo, da sogra, do marido, do vizinho. Vou perder meus preciosos minutos de lazer tramando pequenas vinganças destinadas a cada ser humano que já me fez mal um dia. Quero meter o pau em todo mundo!
Sei que amanhã vou olhar pra trás, desistir de meus planos maquiavélicos e brigar comigo mesma, dizendo: “vingança não leva a nada, só traz energia ruim e nos iguala ao ser que nos fez mal. Perdoar sim é divino”. Também sei que vou concluir que perdi uma ótima oportunidade de ler um livro bom, ver um filme interessante, ler uma revista edificante, assistir a uma peça, ir a uma exposição. E tenho certeza de que vou sentir uma baita dor de estômago! “Por que comi tanta besteira ontem, meu Deus do céu?”
Quer saber? Não vou mais me sentir culpada. Afinal, se eu não conhecesse os males da comida trash, como saberia dar valor à alimentação natural? Se eu assistisse filmes cabeças todos os dias, não acabaria perdendo o encantamento pela genialidade deles? Se eu passeasse na rua todo fim de semana, como me surpreenderia com o movimento lá fora num dia de domingo?
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