quinta-feira, 18 de junho de 2009

O bêbado

No outro dia, eu estava no ônibus, voltando para casa, me preparando para saltar. E então um bêbado, sorridente, tentou pegar minha cabeça para me dar um beijo na testa. Minha primeira reação foi me afastar. Todos à volta olhavam com caras assustadas. Eu olhei bem pra cara do sujeito. No seu olhar, havia um misto de sorriso, carência e melancolia. Ele sabia que não era querido, mas clamava por atenção.

Descemos no mesmo ponto. Ele foi andando a meu lado e começou a falar aquelas coisas sem nexo de bêbado, mas eu prestei atenção, tentando manter uma distância segura, tentando mostrar, pela minha postura corporal e facial, que eu o ouvia sem lhe abrir muito espaço. Confesso que me senti meio cruel. Por que eu seria melhor do que ele a ponto de me sentir concedendo-lhe um grande favor em ouvi-lo? Era nítido que ele estava amargurado. Com aquele olhar suplicante, de que tudo está perdido, mas ainda há esperança, ele me disse: “Se você tem um filho, dá carinho e atenção pra ele, cuida dele, abraça ele”. Ora, isso tem nexo sim!

Eu, que não tenho filho, na mesma hora pensei: esse cara tem um, mas não deu atenção a ele. Se culpa, afoga as mágoas bebendo, e, com isso, se transforma em alguém que não tem a atenção de ninguém. Então finalmente consegue o que quer: se punir por não ter dado atenção ao filho.

Ok, posso estar viajando, mas o fato é que eu continuei andando e ele também, só que agora em calçadas opostas. Lá do outro lado da rua, eu o ouvia falando, mas não distinguia as frases. Então uma coisa estranha aconteceu. Na minha calçada, havia uma turminha de cinco ou seis caras já “mamados”, bebendo cerveja em frente a um “pé-sujo”, sentados em banquinhos de plástico, batucando tambores (muito mal por sinal) e cantando uns sambinhas, quer dizer, tentando cantar.

Do outro lado, o radar do bêbado disparou, ele abriu um sorriso enorme e atravessou a rua, todo animadinho. Já chegou “chegando”, crente que tinha achado, enfim, seus amigos, seus iguais. Mas não. Um dos bêbados mais bêbados da roda se levantou num rompante, e, de cara feia, começou a brigar com o forasteiro. Eu não sei o que foi dito nem feito pois fui embora, mas ainda consegui ver a cara de melancolia do “meu” bêbado por ter sido, mais uma vez, rejeitado. Confesso que fiquei com pena dele. Porém não só dele.

Fiquei com pena da humanidade. Esse simples caso demonstra o quanto não prestamos atenção nos detalhes, o quanto estamos fechados para o novo. Aprendemos aquelas regrinhas quando criança – “Não fale com bêbados” e “Não fale com estranhos” são apenas alguns exemplos – e delas nunca mais nos livramos. Vivemos no automático. Não questionamos nada. Para que se dar ao trabalho de fazer diferente, se arriscar, se seguir sempre nos moldes é muito mais fácil?

sexta-feira, 15 de maio de 2009

A noite

A noite é de pessoas instantâneas,
insanas.
Observar alguma coisa?
Só se forem os peitos,
perfeitos,
as curvas, saliências, quadris.
Ganha quem tiver mais ardis
e decotes.
Ir muito vestida
é a morte.
Os cabelos?
De preferência lisos
e compridos.
Na boca, o riso,
no olhar, libido.
Não se pode perder tempo,
vai se direto ao ponto.
Quer dizer, ao beijo.
Realizemos o desejo.
Onde foi parar o papo?
O jeito?
A curiosidade do toque?
Mistura tudo e vira rock, pop.
A noite é pra pegar,
zoar, ficar.
Dançar é só o esquenta.
Toda semana isso.
Cada dia com uma diferente.
Como é que você aguenta?
Andemos, seguindo em frente.
Amanhã é dia de trabalho.
Caralho!
Tenho que acordar cedo
e a conquista da night vai virar segredo,
passado.
E, se bobear,
no próximo dia,
você esbarra com aquela vadia,
na rua.
Mas então ela estará metida num tailleur,
terninho,
numa roupa de respeito.
Aí não tem mais graça, não é mesmo?
Cadê o colo nu, o decote no peito?
Será que você irá reconhecê-la?
Quando é que essa vida acaba?
Quando é que a música pára?
Alguém pode acender a luz, por favor?

sábado, 9 de maio de 2009

Poetando

Queridos,

Sumi por um tempo. Muitas mudanças na minha vida. Mudança de casa, de bairro, de trabalho e de estado civil. E uma preocupante falta de acesso a internet no meio do caminho. Só uma coisa não muda: continuo escrevendo muuuito, a trabalho e por prazer.

Eis o link para três dos meus últimos poemas. Romantismo e sexo, meus assuntos preferidos.

Clique no link ao lado para ler - INSÔNIA LITERÁRIA

Bjs,
Mari

terça-feira, 14 de abril de 2009

Resenha do meu livro

Leo Argonio postou uma resenha sobre meu livro, aqui.

Nesta sexta-feira, tem lançamento lá na Barra - clique aqui para ver o convite!

Compre pelo site da editora , pelo e-mail ou:

Livraria DiVersos
Av. Érico Veríssimo, 843 - Loja A (ao lado do Restaurante Balada Mix)
Barra da Tijuca - Rio de Janeiro / RJ
(21) 2495 0040

Livraria Nobel do Downtown:

Av. Das Américas, 500 - Bl 21- Lj 138
Barra Da Tijuca - Rio de Janeiro / RJ
(21) 2493-6301

Participe da comunidade no orkut

Leia o release (resumo do livro e da experiência da autora)

Imprensa, trechos da história principal e tudo sobre o livro, no blog:
http://sorriavoceestanabarra.blogspot.com

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Lançamento do meu livro, na Barra!


CLIQUE NA IMAGEM PARA LER O CONVITE

terça-feira, 31 de março de 2009

Eu no jornal de Sampa

Eu e meu "filho" único não estamos ricos, mas estamos cada vez mais famosos. Saímos em matéria do Jornal da Tarde (SP) sobre blogs que viraram livros. Leia a matéria clicando na foto ao lado ou clicando aqui. E compre o livro na livraria Nobel do Downtown (Barra), na Livraria diVersos da Érico Veríssimo (Barra), pelo site da Editora Multifoco, ou comigo, autografado. Saiba mais em http://sorriavoceestanabarra.blogspot.com/


REFLEXÕES SOBRE A "FAMA"

Publicidade de graça eu estou tendo, agora vender que é bom... Por que as pessoas não querem gastar dinheiro com livro, hein? Noutro dia, postei aqui um poema que fiz inspirada numa foto linda de uma bunda. E não é que logo depois recebi um e-mail muito louco (enviado pelo formulário que está na lateral desse blog), de um cara que queria transar comigo? Oferecendo 30 mil reais para um fim de semana com ele! Se não for sacanagem de algum amigo, acredito que ele só pode ser louco e gamou na foto da bunda, bela bunda, concordo. Ou ainda pesquisou depois e viu que eu escrevo poemas e contos eróticos, sei lá. Mas, sem nem considerar o fato de que a bela bunda da foto não é minha (quem dera!), o que leva um sujeito a oferecer 30 mil reais por um fim de semana de sexo com uma bunda desconhecida???

O pior é que ele não é o único. Como trabalhei em TV, sei como tem gente disposta a se vender e gente disposta a comprar sexo com um corpo bonito. É triste. Num mundo onde se valoriza astros do futebol analfabetos que pagam rios de dinheiro para zoar, cheirar, enlouquecer e posar com loiras gostosas do lado, não deve ter espaço mesmo para um simples livro, não é mesmo?

E aquelas pessoas que me mandam mil elogios apenas quando descobrem que eu apareci na mídia? E fazem questão de serem as primeiras a deixarem um comentário dizendo que fizeram parte desse sucesso. Noutro dia, um conhecido disse assim, num desses espaços públicos: "E pensar que eu peguei você no colo". Ele bem que queria me pegar no colo, mas no sentido bíblico, se é que vocês me entendem. Não conseguiu. Então, o que fez, quando teve oportunidade de me pegar no colo, ao ser convocado a dar sua opinião a meu respeito para um cara que queria me dar uma chance num cargo que eu almejava. "Ela é muito criança, não serve". Então agora, que estou "famosa", ele faz questão de espalhar aos quatro ventos que me pegou no colo? Não pegou não, querido. No máximo teve a oportunidade de pegar a "criança" no colo, mas não conseguiu, porque se achava muito grande para dividir espaço com uma pirralha... E era muito sem sal pra botar a ninfeta no colo no sentido bíblico.

E as pessoas que nunca tinham me dado bola, mesmo já tendo sido informadas previamente do lançamento do meu livro, tendo sido já tão bombardeadas com meus e-mails linkando para meus textos? Elas não acreditavam na minha qualidade literária até eu ter aparecido na mídia. Ahh!!! Apareceu no Jornal O Globo então ela deve ser boa, não é mesmo? Ou então ficou boa de uma hora pra outra. É, eu sei que sou jornalista e não deveria estar reclamando de nenhum elogio como autora nem do poder da mídia, afinal eu sempre fiz parte dela, mas, pelo menos aqui, dou vazão aos meus verdadeiros sentimentos. Na hora de vestir a camisa por uma empresa e ganhar um salário no final do mês, me prostituo sim, desde que seja com meus textos. Com a minha bunda, não! Entendeu, seu tarado de São João da Barra???

domingo, 29 de março de 2009

Vestida de Luz


Hoje vou vestida de luz
e minha estampa é o contraste
entre o breu e a claridade.
A escuridão é meu disfarce
e a luz do sol é a verdade
que me deixa no impasse:
o que escondo e o que revelo?
Não me sobram nem chinelos,
pois finquei meus pés no chão.
Então, me dê a sua mão
que já não tenho mais cabelos
e aqueles fios que jorravam
da minha cabeça sempre a mil.
Hoje vou vestida de luz
e minha estampa é o contraste
entre o breu e a claridade,
entre o disfarce e a verdade.

Inspirado na foto de Lucien Clerghe, postada no blog: http://freakshowbusiness.com/