Minha analista disse que eu me exponho demais quando publico minhas poesias. Às vezes sim, às vezes não, porque nem sempre escrevo sobre o que vivo e sinto no momento, embora a maioria pense que sim. Muitas vezes, pra não dizer na maior parte do tempo, escrevo sobre o que queria fazer e ter mas não faço nem tenho...
Mas, como disse Leminski, não preciso explicar a poesia! Já que estou aqui fazendo isso, repito o que disse no meu facebook: não me julgue pelo que escrevo e sim pelo que faço. Aliás, pra que você precisa me julgar? Ah tá, então agora pode ler a minha tentativa de poetar em inglês, vai.
Love is not that feeling they sing,
is something that brings you to reality.
The real happiness is it’s priority.
The yearning that blinds,
someday you’ll find
is the opposite of love.
Just grow old
and you gonna live above
that stupid ideas of life.
And so you must dive
in this feeling sincere.
You just need to love me
and learn.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Não é carência
Não é carência nem indecência essa minha vontade de amar. É a busca pela eterna magia da poesia. Alegria de te achar, mesmo onde você não está.
Fragilidade, que nada! É furar a onda, de cara lavada, investir na ronda, na foda, está sempre na moda, se apaixonar.
Senão pra que a vida, fudida? Senão fantasiosa, aconchegante, no colo de um amante, que nos faz ser mulher.
Não quero ser apenas mãe, namorada, esposa. Quero ser a puta na cama. Aquela que você derrama com pressa e sofreguidão. Aquela que sente o peso e a força de tua mão.
Não é carência nem indecência essa minha vontade de amar. É a busca pela eterna magia da poesia. Alegria de te achar, mesmo onde você não está.
Fragilidade, que nada! É furar a onda, de cara lavada, investir na ronda, na foda, está sempre na moda, se apaixonar.
Senão pra que a vida, fudida? Senão fantasiosa, aconchegante, no colo de um amante, que nos faz ser mulher.
Não quero ser apenas mãe, namorada, esposa. Quero ser a puta na cama. Aquela que você derrama com pressa e sofreguidão. Aquela que sente o peso e a força de tua mão.
Não é carência nem indecência essa minha vontade de amar. É a busca pela eterna magia da poesia. Alegria de te achar, mesmo onde você não está.
sábado, 1 de agosto de 2009
Perdeu, playboy
Quem diz “Não quero criar expectativas” já está criando. Quem não espera nada de um relacionamento nem pensa sobre isso. Simplesmente não faz planos. Apenas aproveita o que lhe interessa. Quem pensa demais - e teoriza - na verdade está se protegendo do que já existe no seu coração há tempos...
Nome próprio
Impossível assistir ao filme “Nome Próprio” e meus dedos não formigarem para escrever. Mesmo sendo 2h 48 da madruga. Não estou aqui para falar da atuação de Leandra Leal - brilhante – mas sim de Clarah Averbuck. Como Bukowski já fez, a mulher da vida real que virou personagem vive até a última sílaba, chora por todas as vírgulas, ri com todos os acentos, sempre em busca de pontos finais.
Talvez muitos assistam e pensem: “como ela é louca”. São os mesmos que vêm depois tentar me consolar quando leem um poema/prosa em que falo das minhas dores. Para esses, vai a resposta contida no filme:
“Então o amor também acaba?
Não que eu saiba.
O que eu sei é que a vida
se encarrega de transformar
numa matéria prima,
em raiva,
ou então em rima.”
Talvez muitos assistam e pensem: “como ela é louca”. São os mesmos que vêm depois tentar me consolar quando leem um poema/prosa em que falo das minhas dores. Para esses, vai a resposta contida no filme:
“Então o amor também acaba?
Não que eu saiba.
O que eu sei é que a vida
se encarrega de transformar
numa matéria prima,
em raiva,
ou então em rima.”
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segunda-feira, 20 de julho de 2009
Começar de novo
Acordar cedo, fazer exame de sangue e urina, ver a taxa de colesterol a quantas andas. A glicose só pode estar baixa, a vida tem andado azeda. Arrumar os currículos. No plural mesmo. Um de trabalho, outro de amor. Por que quando se quer começar uma relação, parece que o passado todo tem que ser investigado? O que você gosta de comer? Você prefere cinema ou DVD? Quantos anos ficou casado? Só perguntas. E muitas incertezas.
Por outro lado, o futuro está ali, na sua frente, como uma folha branca cheia de possibilidades, mas, por mais que eu me esforce, não consigo imaginar que “posso ser tudo o que quiser”. Penso é que posso ser o que ainda sobrar pra mim. Imagino-me alimentando-me de sobras e restos. Alguém não quis aquele cara? Dá pra mim, então. Aquele emprego já não lhe serve mais? Eu pego. Por que eu tenho essa sensação de que tenho que dar graças a Deus por ainda ter umas sobrinhas para mim? Por que essa impressão sufocante de que se eu não correr não terei mais opções? O tempo vai ter passado e eu não terei mais nenhuma sobra para me agarrar?
Não. Não quero viver de sobras. Porque o tempo passou e eu estou inteira. Não mereço as sobras de ninguém. A partir de hoje só me apego a inteiros. Começo do zero. Como uma folha branca e uma caneta ainda hesitante, mas que vai rabiscar suas primeiras palavras sim, e, depois, comemorar, com um belo de um ponto final. De parágrafo. Para então começar tudo de novo mais uma vez, numa nova linha. Novo parágrafo, nova página em branco. E tenho dito.
Por outro lado, o futuro está ali, na sua frente, como uma folha branca cheia de possibilidades, mas, por mais que eu me esforce, não consigo imaginar que “posso ser tudo o que quiser”. Penso é que posso ser o que ainda sobrar pra mim. Imagino-me alimentando-me de sobras e restos. Alguém não quis aquele cara? Dá pra mim, então. Aquele emprego já não lhe serve mais? Eu pego. Por que eu tenho essa sensação de que tenho que dar graças a Deus por ainda ter umas sobrinhas para mim? Por que essa impressão sufocante de que se eu não correr não terei mais opções? O tempo vai ter passado e eu não terei mais nenhuma sobra para me agarrar?
Não. Não quero viver de sobras. Porque o tempo passou e eu estou inteira. Não mereço as sobras de ninguém. A partir de hoje só me apego a inteiros. Começo do zero. Como uma folha branca e uma caneta ainda hesitante, mas que vai rabiscar suas primeiras palavras sim, e, depois, comemorar, com um belo de um ponto final. De parágrafo. Para então começar tudo de novo mais uma vez, numa nova linha. Novo parágrafo, nova página em branco. E tenho dito.
sábado, 18 de julho de 2009
Casal Moderno (conto)
Eles se viram pela primeira vez no Orkut da Marcinha. Vasculharam um os álbuns do outro. Ele ficou doido ao ver a foto dela na piscina. Ela gamou no “quem sou eu” dele. Ele a adicionou e vice-versa.
Passaram a participar de algumas comunidades em comum. Publicavam comentários nos mesmos posts, eram seguidores dos mesmos blogs. Se encontraram até no Twitter. Partilharam linkedins, facebooks, fotologs, myspaces e afins.
A primeira briga aconteceu no MSN. E a reconciliação veio no Youtube. Ele publicou um lindo vídeo com fotos dela. Quebrou o gelo na hora.
Porém, no dia seguinte, mais uma briga. Dessa vez, via torpedo. Foi fatal. Ela o bloqueou no MSN e excluiu o nome dele do seu Orkut. Estava definitivamente acabada a relação dos dois. Uma pena. Tinha tudo para dar certo. Se eles pelo menos tivessem se tocado...
Passaram a participar de algumas comunidades em comum. Publicavam comentários nos mesmos posts, eram seguidores dos mesmos blogs. Se encontraram até no Twitter. Partilharam linkedins, facebooks, fotologs, myspaces e afins.
A primeira briga aconteceu no MSN. E a reconciliação veio no Youtube. Ele publicou um lindo vídeo com fotos dela. Quebrou o gelo na hora.
Porém, no dia seguinte, mais uma briga. Dessa vez, via torpedo. Foi fatal. Ela o bloqueou no MSN e excluiu o nome dele do seu Orkut. Estava definitivamente acabada a relação dos dois. Uma pena. Tinha tudo para dar certo. Se eles pelo menos tivessem se tocado...
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quinta-feira, 18 de junho de 2009
O bêbado
No outro dia, eu estava no ônibus, voltando para casa, me preparando para saltar. E então um bêbado, sorridente, tentou pegar minha cabeça para me dar um beijo na testa. Minha primeira reação foi me afastar. Todos à volta olhavam com caras assustadas. Eu olhei bem pra cara do sujeito. No seu olhar, havia um misto de sorriso, carência e melancolia. Ele sabia que não era querido, mas clamava por atenção.
Descemos no mesmo ponto. Ele foi andando a meu lado e começou a falar aquelas coisas sem nexo de bêbado, mas eu prestei atenção, tentando manter uma distância segura, tentando mostrar, pela minha postura corporal e facial, que eu o ouvia sem lhe abrir muito espaço. Confesso que me senti meio cruel. Por que eu seria melhor do que ele a ponto de me sentir concedendo-lhe um grande favor em ouvi-lo? Era nítido que ele estava amargurado. Com aquele olhar suplicante, de que tudo está perdido, mas ainda há esperança, ele me disse: “Se você tem um filho, dá carinho e atenção pra ele, cuida dele, abraça ele”. Ora, isso tem nexo sim!
Eu, que não tenho filho, na mesma hora pensei: esse cara tem um, mas não deu atenção a ele. Se culpa, afoga as mágoas bebendo, e, com isso, se transforma em alguém que não tem a atenção de ninguém. Então finalmente consegue o que quer: se punir por não ter dado atenção ao filho.
Ok, posso estar viajando, mas o fato é que eu continuei andando e ele também, só que agora em calçadas opostas. Lá do outro lado da rua, eu o ouvia falando, mas não distinguia as frases. Então uma coisa estranha aconteceu. Na minha calçada, havia uma turminha de cinco ou seis caras já “mamados”, bebendo cerveja em frente a um “pé-sujo”, sentados em banquinhos de plástico, batucando tambores (muito mal por sinal) e cantando uns sambinhas, quer dizer, tentando cantar.
Do outro lado, o radar do bêbado disparou, ele abriu um sorriso enorme e atravessou a rua, todo animadinho. Já chegou “chegando”, crente que tinha achado, enfim, seus amigos, seus iguais. Mas não. Um dos bêbados mais bêbados da roda se levantou num rompante, e, de cara feia, começou a brigar com o forasteiro. Eu não sei o que foi dito nem feito pois fui embora, mas ainda consegui ver a cara de melancolia do “meu” bêbado por ter sido, mais uma vez, rejeitado. Confesso que fiquei com pena dele. Porém não só dele.
Fiquei com pena da humanidade. Esse simples caso demonstra o quanto não prestamos atenção nos detalhes, o quanto estamos fechados para o novo. Aprendemos aquelas regrinhas quando criança – “Não fale com bêbados” e “Não fale com estranhos” são apenas alguns exemplos – e delas nunca mais nos livramos. Vivemos no automático. Não questionamos nada. Para que se dar ao trabalho de fazer diferente, se arriscar, se seguir sempre nos moldes é muito mais fácil?
Descemos no mesmo ponto. Ele foi andando a meu lado e começou a falar aquelas coisas sem nexo de bêbado, mas eu prestei atenção, tentando manter uma distância segura, tentando mostrar, pela minha postura corporal e facial, que eu o ouvia sem lhe abrir muito espaço. Confesso que me senti meio cruel. Por que eu seria melhor do que ele a ponto de me sentir concedendo-lhe um grande favor em ouvi-lo? Era nítido que ele estava amargurado. Com aquele olhar suplicante, de que tudo está perdido, mas ainda há esperança, ele me disse: “Se você tem um filho, dá carinho e atenção pra ele, cuida dele, abraça ele”. Ora, isso tem nexo sim!
Eu, que não tenho filho, na mesma hora pensei: esse cara tem um, mas não deu atenção a ele. Se culpa, afoga as mágoas bebendo, e, com isso, se transforma em alguém que não tem a atenção de ninguém. Então finalmente consegue o que quer: se punir por não ter dado atenção ao filho.
Ok, posso estar viajando, mas o fato é que eu continuei andando e ele também, só que agora em calçadas opostas. Lá do outro lado da rua, eu o ouvia falando, mas não distinguia as frases. Então uma coisa estranha aconteceu. Na minha calçada, havia uma turminha de cinco ou seis caras já “mamados”, bebendo cerveja em frente a um “pé-sujo”, sentados em banquinhos de plástico, batucando tambores (muito mal por sinal) e cantando uns sambinhas, quer dizer, tentando cantar.
Do outro lado, o radar do bêbado disparou, ele abriu um sorriso enorme e atravessou a rua, todo animadinho. Já chegou “chegando”, crente que tinha achado, enfim, seus amigos, seus iguais. Mas não. Um dos bêbados mais bêbados da roda se levantou num rompante, e, de cara feia, começou a brigar com o forasteiro. Eu não sei o que foi dito nem feito pois fui embora, mas ainda consegui ver a cara de melancolia do “meu” bêbado por ter sido, mais uma vez, rejeitado. Confesso que fiquei com pena dele. Porém não só dele.
Fiquei com pena da humanidade. Esse simples caso demonstra o quanto não prestamos atenção nos detalhes, o quanto estamos fechados para o novo. Aprendemos aquelas regrinhas quando criança – “Não fale com bêbados” e “Não fale com estranhos” são apenas alguns exemplos – e delas nunca mais nos livramos. Vivemos no automático. Não questionamos nada. Para que se dar ao trabalho de fazer diferente, se arriscar, se seguir sempre nos moldes é muito mais fácil?
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