segunda-feira, 20 de julho de 2009

Começar de novo

Acordar cedo, fazer exame de sangue e urina, ver a taxa de colesterol a quantas andas. A glicose só pode estar baixa, a vida tem andado azeda. Arrumar os currículos. No plural mesmo. Um de trabalho, outro de amor. Por que quando se quer começar uma relação, parece que o passado todo tem que ser investigado? O que você gosta de comer? Você prefere cinema ou DVD? Quantos anos ficou casado? Só perguntas. E muitas incertezas.


Por outro lado, o futuro está ali, na sua frente, como uma folha branca cheia de possibilidades, mas, por mais que eu me esforce, não consigo imaginar que “posso ser tudo o que quiser”. Penso é que posso ser o que ainda sobrar pra mim. Imagino-me alimentando-me de sobras e restos. Alguém não quis aquele cara? Dá pra mim, então. Aquele emprego já não lhe serve mais? Eu pego. Por que eu tenho essa sensação de que tenho que dar graças a Deus por ainda ter umas sobrinhas para mim? Por que essa impressão sufocante de que se eu não correr não terei mais opções? O tempo vai ter passado e eu não terei mais nenhuma sobra para me agarrar?


Não. Não quero viver de sobras. Porque o tempo passou e eu estou inteira. Não mereço as sobras de ninguém. A partir de hoje só me apego a inteiros. Começo do zero. Como uma folha branca e uma caneta ainda hesitante, mas que vai rabiscar suas primeiras palavras sim, e, depois, comemorar, com um belo de um ponto final. De parágrafo. Para então começar tudo de novo mais uma vez, numa nova linha. Novo parágrafo, nova página em branco. E tenho dito.

sábado, 18 de julho de 2009

Casal Moderno (conto)

Eles se viram pela primeira vez no Orkut da Marcinha. Vasculharam um os álbuns do outro. Ele ficou doido ao ver a foto dela na piscina. Ela gamou no “quem sou eu” dele. Ele a adicionou e vice-versa.

Passaram a participar de algumas comunidades em comum. Publicavam comentários nos mesmos posts, eram seguidores dos mesmos blogs. Se encontraram até no Twitter. Partilharam linkedins, facebooks, fotologs, myspaces e afins.

A primeira briga aconteceu no MSN. E a reconciliação veio no Youtube. Ele publicou um lindo vídeo com fotos dela. Quebrou o gelo na hora.

Porém, no dia seguinte, mais uma briga. Dessa vez, via torpedo. Foi fatal. Ela o bloqueou no MSN e excluiu o nome dele do seu Orkut. Estava definitivamente acabada a relação dos dois. Uma pena. Tinha tudo para dar certo. Se eles pelo menos tivessem se tocado...

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O bêbado

No outro dia, eu estava no ônibus, voltando para casa, me preparando para saltar. E então um bêbado, sorridente, tentou pegar minha cabeça para me dar um beijo na testa. Minha primeira reação foi me afastar. Todos à volta olhavam com caras assustadas. Eu olhei bem pra cara do sujeito. No seu olhar, havia um misto de sorriso, carência e melancolia. Ele sabia que não era querido, mas clamava por atenção.

Descemos no mesmo ponto. Ele foi andando a meu lado e começou a falar aquelas coisas sem nexo de bêbado, mas eu prestei atenção, tentando manter uma distância segura, tentando mostrar, pela minha postura corporal e facial, que eu o ouvia sem lhe abrir muito espaço. Confesso que me senti meio cruel. Por que eu seria melhor do que ele a ponto de me sentir concedendo-lhe um grande favor em ouvi-lo? Era nítido que ele estava amargurado. Com aquele olhar suplicante, de que tudo está perdido, mas ainda há esperança, ele me disse: “Se você tem um filho, dá carinho e atenção pra ele, cuida dele, abraça ele”. Ora, isso tem nexo sim!

Eu, que não tenho filho, na mesma hora pensei: esse cara tem um, mas não deu atenção a ele. Se culpa, afoga as mágoas bebendo, e, com isso, se transforma em alguém que não tem a atenção de ninguém. Então finalmente consegue o que quer: se punir por não ter dado atenção ao filho.

Ok, posso estar viajando, mas o fato é que eu continuei andando e ele também, só que agora em calçadas opostas. Lá do outro lado da rua, eu o ouvia falando, mas não distinguia as frases. Então uma coisa estranha aconteceu. Na minha calçada, havia uma turminha de cinco ou seis caras já “mamados”, bebendo cerveja em frente a um “pé-sujo”, sentados em banquinhos de plástico, batucando tambores (muito mal por sinal) e cantando uns sambinhas, quer dizer, tentando cantar.

Do outro lado, o radar do bêbado disparou, ele abriu um sorriso enorme e atravessou a rua, todo animadinho. Já chegou “chegando”, crente que tinha achado, enfim, seus amigos, seus iguais. Mas não. Um dos bêbados mais bêbados da roda se levantou num rompante, e, de cara feia, começou a brigar com o forasteiro. Eu não sei o que foi dito nem feito pois fui embora, mas ainda consegui ver a cara de melancolia do “meu” bêbado por ter sido, mais uma vez, rejeitado. Confesso que fiquei com pena dele. Porém não só dele.

Fiquei com pena da humanidade. Esse simples caso demonstra o quanto não prestamos atenção nos detalhes, o quanto estamos fechados para o novo. Aprendemos aquelas regrinhas quando criança – “Não fale com bêbados” e “Não fale com estranhos” são apenas alguns exemplos – e delas nunca mais nos livramos. Vivemos no automático. Não questionamos nada. Para que se dar ao trabalho de fazer diferente, se arriscar, se seguir sempre nos moldes é muito mais fácil?

sexta-feira, 15 de maio de 2009

A noite

A noite é de pessoas instantâneas,
insanas.
Observar alguma coisa?
Só se forem os peitos,
perfeitos,
as curvas, saliências, quadris.
Ganha quem tiver mais ardis
e decotes.
Ir muito vestida
é a morte.
Os cabelos?
De preferência lisos
e compridos.
Na boca, o riso,
no olhar, libido.
Não se pode perder tempo,
vai se direto ao ponto.
Quer dizer, ao beijo.
Realizemos o desejo.
Onde foi parar o papo?
O jeito?
A curiosidade do toque?
Mistura tudo e vira rock, pop.
A noite é pra pegar,
zoar, ficar.
Dançar é só o esquenta.
Toda semana isso.
Cada dia com uma diferente.
Como é que você aguenta?
Andemos, seguindo em frente.
Amanhã é dia de trabalho.
Caralho!
Tenho que acordar cedo
e a conquista da night vai virar segredo,
passado.
E, se bobear,
no próximo dia,
você esbarra com aquela vadia,
na rua.
Mas então ela estará metida num tailleur,
terninho,
numa roupa de respeito.
Aí não tem mais graça, não é mesmo?
Cadê o colo nu, o decote no peito?
Será que você irá reconhecê-la?
Quando é que essa vida acaba?
Quando é que a música pára?
Alguém pode acender a luz, por favor?

sábado, 9 de maio de 2009

Poetando

Queridos,

Sumi por um tempo. Muitas mudanças na minha vida. Mudança de casa, de bairro, de trabalho e de estado civil. E uma preocupante falta de acesso a internet no meio do caminho. Só uma coisa não muda: continuo escrevendo muuuito, a trabalho e por prazer.

Eis o link para três dos meus últimos poemas. Romantismo e sexo, meus assuntos preferidos.

Clique no link ao lado para ler - INSÔNIA LITERÁRIA

Bjs,
Mari

terça-feira, 14 de abril de 2009

Resenha do meu livro

Leo Argonio postou uma resenha sobre meu livro, aqui.

Nesta sexta-feira, tem lançamento lá na Barra - clique aqui para ver o convite!

Compre pelo site da editora , pelo e-mail ou:

Livraria DiVersos
Av. Érico Veríssimo, 843 - Loja A (ao lado do Restaurante Balada Mix)
Barra da Tijuca - Rio de Janeiro / RJ
(21) 2495 0040

Livraria Nobel do Downtown:

Av. Das Américas, 500 - Bl 21- Lj 138
Barra Da Tijuca - Rio de Janeiro / RJ
(21) 2493-6301

Participe da comunidade no orkut

Leia o release (resumo do livro e da experiência da autora)

Imprensa, trechos da história principal e tudo sobre o livro, no blog:
http://sorriavoceestanabarra.blogspot.com

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Lançamento do meu livro, na Barra!


CLIQUE NA IMAGEM PARA LER O CONVITE